As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 15/05/2020
Evidências genéticas, arqueológicas e linguísticas indicam que os seres humanos começaram a emigrar a partir do continente africano, espalhando-se desde então pelo globo terrestre e conquistando as terras mais longínquas. Paradoxalmente, na contemporaneidade, infere-se que tal processo antrópico apresenta muitos entraves diante do tabuleiro mundial, visto que, frente à discursos xenofóbicos e às idiossincrasias de cada país, o drama dos refugiados se faz presente. Diante desse prisma, urge avaliar a gênese bem como os impactos advindos da privação do direito de ir e vir no século XXI.
A princípio, deve-se ressaltar a perversidade do conceito de Globalização quando dá comparação entre os diversos povos do planeta. Consoante o geógrafo brasileiro Milton Santos, aquela pode ser interpretada como uma fábula, já que, diante de nossos olhos, o mundo seria isento de individualismos, cada vez mais solidário. Com efeito, tal concepção miltoniana se evidencia, visto que, hodiernamente, grande parcela da sociedade mundial ainda não reconhece as adversidades enfrentadas pelos imigrantes. Desse modo, torna-se cada vez maior o número de seres humanos que não podem usufruir de uma moradia e alimentação adequadas.
Outrossim, cabe ponderar neste cenário, a crescente onda de discursos xenofóbicos no mundo atual. Na antiga cidade-estado espartana, o preconceito contra os demais povos era evidente, posto que, os habitantes helênicos priorizavam a preservação do seu sistema político em detrimento de outros povos. Paralelamente à tal atitude, grande parcela do tecido social atual conserva tal posicionamento grego diante dos refugiados ao valer-se do protecionismo econômico, marco registrado de países desenvolvidos.
É necessária, portanto, a adoção de medidas que possam suplantar os empecilhos enfrentados pelos imigrantes no presente século. Com o fito de reverter o pensamento preconceituoso acerca dos imigrantes, será de altaneira importância a participação das mídias sociais. Valendo-se da função conativa da linguagem, essas poderão promover a reflexão da sociedade, desconstruindo o discurso individualista de certas nações. Ademais, os governos de países desenvolvidos, pressionados pela então população reflexiva, deverão promover políticas públicas específicas para os imigrantes, fornecendo-lhes atendimento médico e condições de moradia. Concomitantemente, as Universidades Públicas desempenharam importante papel ao construírem espaços de aprendizado da língua de cada país, derrubando, ainda que a longo prazo, o obstáculo da comunicação social dos refugiados.