As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 15/07/2020

O livro “Refugiados: A Última Fronteira”, da escritora britânica Kate Evans, retrata um campo de refugiados em Calais, cidade francesa, que se tornou uma favela de contêineres e barracas. Rodeados por ratos e lixo, e privados de qualquer saneamento básico ou segurança, milhares de refugiados tinham a esperança de, algum dia, se estabelecer no Reino Unido. Nesse contexto, a obra é o retrato de uma crise humanitária refletida em diversos cantos do mundo. Apesar de enfrentarem riscos na saída de seus países, as dificuldades não terminam com a imigração, já que em várias nações essas pessoas nem sequer são acolhidas. Logo, faz-se fulcral entender como a xenofobia e moradias precárias cooperam para a persistência dessa conjuntura.

Em primeira análise, percebe-se como causa latente do problema a xenofobia. Nesse sentido, a novela da Globo “Órfãos da Terra” apresenta o universo de refugiados com o objetivo de mudar a visão que os brasileiros têm desses indivíduos. Essas pessoas de diversos lugares do mundo vêm para o Brasil — fugindo de guerras, de conflitos políticos, de crises econômicas — para recomeçarem suas vidas, enfrentando muitas adversidades, como a xenofobia. É evidente que práticas xenofóbicas são comuns, não só por parte das empresas que evitam contratar estrangeiros, mas também pela própria população, pois sentem aversão em relação às pessoas que vêm de fora do seu país com uma cultura diferente. Assim, torna-se fundamental a mudança de comportamento da coletividade.

Outrossim, é imperativo ressaltar que péssimas condições de moradia são, infelizmente, uma problemática frequente na realidade dos refugiados. Tal questão é explicitada na música “Diáspora”, do trio Tribalistas. No trecho “O meu filho sem pai. Minha mãe sem avó. Dando a mão pra ninguém. Sem lugar pra ficar. Os meninos sem paz”, a obra faz uma alusão aos expatriados que perderam membros da família e que não têm onde morar no novo país. Ademais, segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, toda pessoa vítima de perseguição tem o direito de procurar e de gozar de asilo em outros países. Portanto, é dever dos governos acolher essas pessoas, e oferecer emprego e moradia de qualidade.

Dessa forma, é dever do Superministério da Cidadania — órgão responsável por programas trabalhistas e de assistência à população — criar um projeto de auxílio para expatriados que buscam emprego. Isso deverá ser feito por meio da disponibilização de espaços públicos e da contratação de profissionais para verificar o currículo e necessidades desses cidadãos, com o fito de proporcionar-lhes uma vida digna e segura no Brasil. Além disso, o Governo deve criar políticas públicas relacionadas à conscientização da população sobre as dificuldades enfrentadas pelos fugitivos.