As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 06/08/2020
Muito se tem discutido, na contemporaneidade, acerca da crise humanitária global, a qual tem sido responsável pela dispersão de refugiados das mais diversas etnias em pátrias diferentes. Embora fluxos migratórios sejam capazes de contribuir para o desenvolvimento de uma nação - como fundamentado pelo apoio à miscigenação do sociólogo Gilberto Freyre -, diversos países, incluindo o Brasil, têm omitido, ao longo da história, a própria participação no acolhimento dessas pessoas e na luta pelas desigualdades em seus países de origem. Por conseguinte, urge a reversão desse cenário, com base no papel abrangente da cidadania.
Analogamente, no hiato correspondente à Ditadura Militar no Brasil, em busca de exílio político, civis foram abrigados em territórios nacionais distintos. No entanto, 56 anos depois, ainda é marcante no país um sentimento de “hierarquia migratória”, na qual emigrados de potências geopolíticas são aceitos pela população em detrimento dos habitantes do mesmo continente, como é o caso da convivência entre brasileiros e bolivianos. Logo, necessita-se que os locais de destino compreendam a dimensão dessa adversidade e despertem em suas nações a hospitalidade.
No ínterim equivalente ao século XX, o continente europeu ficou marcado pela intensa repulsão de pessoas ocasionada pela Segunda Guerra Mundial. Desse modo, o regime nazista gerou uma quantidade exorbitante de judeus homiziados ao redor do mundo; com o fim da Guerra e a restauração da paz na Alemanha, o contexto discriminatório foi erradicado, fator que não acontece, contudo, em guerras atuais como a da Síria, por exemplo. Portanto, torna-se imprescindível que as autoridades universais interpretem esses conflitos como tão graves quanto outrora, visto que somente a partir desse posicionamento o conflito será solucionado.
Em virtude dos fatos mencionados, manifestam-se como essenciais certas atitudes, visto que como afirma Albert Einstein, a paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos. Com efeito, as ações do Ministério das Relações Exteriores e da ACNUR tornam-se indispensáveis, já que por eles serão efetuadas políticas inclusivas de cidadania e de apoio aos Estados oriundos dos refugiados, por meio de projetos sociais e econômicos, objetivando o elucidação dessa crise global. Assim, o Brasil tornar-se-á uma nação benevolente e altruísta.