As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 18/09/2020

Medo. Fuga. Preconceito. Tal tríade retrata, infelizmente, a situação de muitos indivíduos que são obrigados a sair de sua terra natal e buscarem acolhimento em outros países por possuírem seus direitos humanos infringidos. Entretanto, há diversos desafios no que se refere à fixação dessas pessoas na sociedade brasileira. Desse modo, é premente a discussão sobre os obstáculos que impedem o acolhimento dos refugiados no Brasil, que perpassam, obrigatoriamente, pela xenofobia e falta de acesso ao mercado de trabalho.

Nessa perspectiva, parafraseando Nelson Mandela, ninguém nasce odiando outra pessoa pela sua cor, origem ou religião e se podem aprender a odiar podem aprender a amar. Tal aforismo cristaliza o entendimento de que o preconceito não é uma atitude inerente à sociedade, mas sim uma característica intrínseca à ela, tornando-se uma patologia social que impede o convívio amigável entre todas as parcelas da população. Nesse sentido, muitos refugiados se sentem discriminados, possuindo dificuldades para encontrar moradia e validar sua documentação em razão da percepção distorcida dos brasileiros sobre os imigrantes. Logo, em virtude do pânico moral intricado na população, muitos refugiados são representados como uma ameaça para a sociedade no seu todo, o que dificuldade a integração dessa minoria.

Nesse contexto, segundo Bauman em sua obra “Estranhos á nossa porta”, a crise de refugiados vem transformando o que deveria ser uma questão moral num tema de segurança, situávamos os imigrantes “fora do espaço de compaixão”. Sob esse prisma, percebe-se que a situação dos refugiadas ganha contornos alarmantes, colocando em risco suas condições de sobrevivência. Nesse viés, as dificuldade de encontrar emprego, os baixos salários e as burocracias existentes para validar a sua documentação são variáveis que corroboram para o desemprego dos imigrantes. Desse modo, em razão da demora para comprovar sua documentação, muitos refugiados encontram dificuldades para possuir carteira assinada e, consequentemente, ingressam em empregos instáveis, fator que corrobora para a precarização de sua qualidade de vida.

Depreende-se, portanto, que o preconceito e a falta de acesso ao mercado de trabalho são barreiras que distanciam os refugiadas da sociedade brasileira. Desse modo, é premente que o Ministério da Educação promova seminários educativos por meio de feiras e palestras informativas, em locais públicos como praças e parques, sobre a importância da coexistência de diversas culturas em um mesmo ambiente para garantir a hegemonia cultural com intuito de extinguir atitudes xenofóbicas, a fim de manter os imigrantes “dentro do espaço de compaixão”.