As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 27/10/2020
Na novela brasileira “Órfãos da Terra”,televisionada pelo grupo Globo,mostra-se a história de uma família árabe fugindo da guerra civil na Síria em meio a enclaves e dificuldades.Fora da ficção,sabe-se que,no mundo hodierno,ocorridos como esse são comuns e recorrentes,sobretudo nos países que vivenciam instabilidades socioeconômicas,gerando diversas problemáticas graves,ora pelos processos discriminatórios,ora pelas formas de perdas culturais.
Em primeira análise,é importante destacar que,em um contexto político global de ascensão de partidos extremistas,nota-se,concomitantemente,um engrandecimento dos discursos xenofóbicos.Sob essa ótica,urge,nos meios sociais,debates acerca dos prejuízos causados pelos expatriados,seja embasados no argumento de percas no mercado de trabalho,seja pelo princípio da maximização dos problemas urbanos.Contudo,de acordo com o editorial “Desbancando o mito do imigrante que rouba empregos”,produzido pelo “The New York Times”,entende-se que a vinda de refugiados é uma situação de subsistência humanitária e,em contraponto ao senso comum,não causa desemprego aos brasileiros,uma vez que há um aumento da demanda,mas aquece a economia nacional.
Outrossim,percebe-se a coexistência de um cunho racista e etnocêntrico nos movimentos anti-imigração,principalmente no que tange aos embates nas fronteiras internacionais,proporcionando espaço a indivíduos criminosos que estavam ocultados.Ademais,em consequência de ameaças e preconceitos,faz-se presente o fenômeno do “epistemicídio”,termo utilizado pelo professor português Boaventura de Sousa Santos,que consiste na renúncia,por parte dos emigrantes,de costumes e crenças culturais em favor da aceitação e da diminuição dos ataques preconceituosos.Dessarte,são criadas diversas barreiras burocráticas para o desenvolvimento dos estrangeiros,e,por conseguinte,dos próprios brasileiros.
Portanto,em uma conjuntura social que almeja combater grandezas como essa,faz-se necessário não apenas debates frívolos,mas ações factíveis que possam,direta ou indiretamente,amenizar o imbróglio em questão.Logo,o Ministério da Justiça e Segurança Pública,por intermédio do Comitê Nacional para os Refugiados,com o fito de melhorar as condições de vida dos asilados,deve impor maior rigor e eficiência às leis de crimes xenofóbicos,por meio de políticas públicas e ações privadas,promovendo tal prática à esfera inafiançável e debatendo a fundação de embaixadas do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados em todas fronteiras brasileiras.Por fim,espera-se assim,combatendo a progressão do “epistemicídio,maximizar os aspectos de união e ajuda aos desterrados.