As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 01/01/2021
O crescente número de refugiados, observado na década passada, ganha destaque no cenário internacional. Uma vez que, essas pessoas são obrigadas a abandonarem seus países de origem para fugir de perseguições e guerras, elas se tornam apátridas, buscando abrigo em países que, eventualmente, negam tal proteção. Embora o Brasil seja visto como um país receptivo aos imigrantes, há uma enorme dificuldade de acolhimento dos refugiados, pois muitos sofrem com questões alarmantes de xenofobia e marginalização social, tal como observado na Europa, já que o choque cultural é erroneamente visto como ameaçador.
Em primeira análise, a ONU destaca que o contingente de refugiados se tornou uma questão humanitária, com cerca de 80 milhões de pessoas. Ainda de acordo com esse órgão, sobressaem os provenientes de países africanos e do Oriente Médio, como da Síria, que sofre uma devastadora guerra civil desde 2011. Essas pessoas, com frequência, buscam abrigo em países europeus devido à proximidade territorial. Contudo, essas nações negam ou restringem a entrada, por considerarem que a abertura abalará negativamente a sociedade, como declarado pela Hungria e Polônia, que veem nos estrangeiros uma ameaça à cultura cristã. Isso demonstra que, apesar da situação ser de extrema relevância social, a percepção xenofóbica se sobressai.
Não obstante, no cenário internacional, o Brasil é visto como um destino receptivo aos imigrantes. No país há leis desde 2014, que são voltadas para os apátridas e buscam assegurar direitos e deveres. Todavia, ações do cotidiano assemelham o país às manifestações xenofóbicas ocorridas na Europa, tal como o ataque em 2018 aos refugiados da Venezuela que foram agredidos e tiveram suas coisas queimadas por brasileiros em Roraima, após a suspeita de furto por um estrangeiro. Assim sendo, é possível enfatizar que, apesar das singularidades locais, a receptividade aos apátridas é permeada por preconceitos fundados no enfraquecimento da cultura local e risco à segurança.
Destarte, se torna evidente que o país deve ampliar a receptividade aos refugiados, de maneira genuína, sem que a xenofobia esteja presente. Para tal o governo, por meio de CONARE (Comitê Nacional para Refugiados), deve criar políticas públicas que ampare socialmente essas pessoas, por meio de programas que incentivem os pequenos e médios empresários a contratarem os recém chegados (que já tenham ou não cidadania brasileira), oferecendo incentivos fiscais, de modo delimitado, para as empresas que tiverem uma porcentagem de tais funcionários. Desta maneira haverá uma troca cultural entre as partes, além da remuneração, que garantirá às pessoas o mínimo para terem uma condição digna no novo país e que os preconceitos sejam diluídos a médio e longo prazo.