As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 25/03/2021

Não se pode negar que muito do que o Brasil é hoje, em termos de identidade, diversidade e economia, deve-se aos movimentos imigratórios que se sucederam desde os primórdios da história brasileira. Nesse sentido, como no passado, os deslocamentos atuais devem ser encarados como uma oportunidade de crescimento socioeconômico. Para impulsionar tal processo, faz-se necessário um esforço na direção de oferecer a esses indivíduos cidadania, buscando incluí-los na realidade econômica nacional. Logo, é imperativo que o poder público e a sociedade se unam para enfrentar esse problema.

Muitas vezes, o imigrante que aqui desembarca é, por exemplo, um profissional qualificado da área de saúde: um médico, um enfermeiro, um fisioterapeuta, um psicólogo. Entretanto, tratam-se de pessoas que, por não terem seus diplomas reconhecidos no Brasil, ficam impossibilitadas de exercer sua profissão. Fato este que os impossibilita de ingressar no mercado de trabalho e, por conseguinte, de ter assegurado seu direito a uma vida digna, garantia defendida no Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sendo assim, é preciso que seja implementadas formas de inserção desses imigrantes no mercado de trabalho.

Em segundo plano, também desembarcam em terras brasileiras imigrantes com baixa qualificação profissional, geralmente oriundos de países com IDH baixíssimo, como por exemplo a Bolívia, ocupante da 114º posição, segundo a ONU. Nesse cenário, é preciso encontrar caminhos para oportunizar cidadania a essas pessoas, maneiras de incluí-las, verdadeiramente, na economia formal do país, afastando-as, com isso, da informalidade. Dessa forma, o país pode prevenir que esse contingente populacional fique à margem da sociedade e acabe em subempregos, trabalhando sem vínculos ou garantias.

Torna-se evidente, portanto, que os movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI devem ser vistos como uma circunstância favorável ao desenvolvimento socioeconômico do país. Para tanto, é essencial e urgente que o Governo, em parceria com as Universidades Federais, acelere a revalidação dos diplomas dos trabalhadores qualificados, possibilitando uma efetiva participação destes na vida econômica da sociedade. Em paralelo a isso, os Institutos Federais e SENAIs devem ofertar cursos profissionalizantes aos imigrantes sem qualificação, visando potencializar suas chances de lutar pela cidadania plena. Ao tomar essas medidas, o Brasil estaria dando um belo exemplo para o mundo.