As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 14/03/2021

Individualismo social. Ignorância estatal. Preconceito estrutural. Esses problemas estão diretamente relacionados à dificuldade das pessoas nativas em aceitar refugiados, que por sua vez é proveniente da defesa do que seria seu bem-estar, frente ao pensamento de que eles seriam apenas mais um grupo com o qual teriam que competir por direitos como comida, moradia e saúde, além de um emprego. De modo a fincar o Estado, devido à sua falta de estrutura para acolher mais pessoas, e o capitalismo,  este em virtude da criação de um mercado de trabalho descriminante, como sendo os vetores dessa intolerância, visto que já não há para garantia de direitos básicos nem para os que nasceram no país. Fazendo, então, necessária uma análise da ação deles como propulsores do estigma social imposto aos refugiados.

Em vista dessa necessidade, tem-se a conjectura que o preconceito começou a ser estruturado quando o Estado passou a não suprir mais, plenamente, os direitos de seus cidadãos, de modo a reviver o antigo cenário descrito por Hobbes, em que o homem é o lobo do homem, isto é, cada indivíduo só se preocupa com a sua própria sobrevivência, sendo indiferente aos demais. Em conformidade com isso, as diferenças culturais tornam-se argumento para rejeitar a entrada de pessoas no país e impedir que elas tenham seus direitos postos em vigor, levando-as, muitas das vezes, à um estado de miséria social e econômica, à medida que são marginalizadas pelos governos e seus respectivos residentes.

Assim, dando continuidade ao raciocínio, temos que o Estado foi o responsável por originar a xenofobia, mas é o atual capitalismo de mercado que mantém esse preconceito, tendo em vista que ao dificultar à inserção das pessoas em uma vaga de emprego, ele cria uma nova competição, na qual o acréscimo de pessoas, neste caso dos expatriados, causa um superlotamento, o qual ao se tentar evitar acaba levando os refugiados aos empregos informais, destacando-se o comercio ambulante, embora os adultos, em sua maior parte, sejam trabalhadores qualificados, como aponta a série da Folha, “E eu?”.

Por isso, cabe ao governo, em conjunto com as prefeituras das cidades que têm recebido grandes quantidades de expatriados, a função de elaborar campanhas de doações, tal como de combate à xenofobia, que serão as responsáveis por aumentar a aceitabilidade dos nativos e diminuir a miséria com que os refugiados vivem. Dessa maneira, as campanhas deverão ser exibidas na TV, durante o horário nobre e em diferentes emissoras, dando-se preferência para as que circulam em canais abertos. Configurando, enfim, um arranjo que visa o alcançar de um maior público, e concretizando, então, o desejo de acabar com a ação dos propulsores do estigma social imposto aos refugiados.