As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 29/03/2021
Na distopia futurística “Years and Years”, dirigida por Russel Davis, dentre os seus diversos tópicos de cunho social apresentados, as dificuldades enfrentadas por refugiados é uma das principais ao serem intensificadas com a ascensão de um governo da extrema-direita. A partir disso, assim como na série, narrativas com a mesma linha de raciocínio vêm ganhando força na sociedade brasileira, principalmente, devido à posicionamentos de líderes de Estados. Assim sendo, discursos nacionalistas xenofóbicos e políticas agressivas e retrogádas apenas tem intensificado a repressão e maginalização dessas pessoas.
Nesse sentido, diversos aspectos englobam a discussão sobre a realidade dos refugiados, como o preconceito enfrentado nos países que eles buscam acolhimento, falta de assistência do governo e, consequentemente, precária condição de vida. Diante disso, como lembrado pela pesquisa do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), 20% dos estrangeiros refugiados no Brasil vêm a procura de emprego, mas sem sucesso. Assim, considerando que tanto a discriminação sofrida quanto o descaso do governo contribuem para a falta de informação reinante na população brasileira sobre esse público, esses aspectos, portanto, são indicadores marcantes para que essa porcentagem seja tão acentuada.
Junto a isso, pensando na definição de nacionalismo exacerbado, também chamado de ufanismo, pode-se notar que muitos comportamentos xenofóbicos estão extramamente ligados a esse orgulho excessivo. Exemplo disso, seria relacionar a imagem nacionalista que os Estados Unidos representa com os acontecimentos recentes sobre as dificuldades de entrada dos imigrantes no país, como é lembrado por uma análise feita pela Universidade Federal de Juíz de Fora em sua página online, no ano de 2020. Assim sendo, esses comportamentos ufanistas, contribuem com comportamentos xenofóbicos ao colocarem a sua nação em uma patamar superior de outras nações.
A partir do exposto, fica evidente a necessidade de desenvolver ferramentas que ajudem para a reversão dessa situação no Brasil. Primeiramente, o Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), principal órgão responsável pelo atendimento de refugiados, vinculado ao Ministério da Justiça (governo federal), poderia investir em políticas públicas que contribuam para inclusão de imigrantes na sociedade brasileira, pensando particularmente no mercado de trabalho e na responsabilidade das empresas privadas nessa causa. Além disso, seria fundamental cultivar ações educacionais entre os membros da sociedade, com o intuito de trabalhar com as ideias xenofóbicas presentes. Para isso, o Ministério da Educação poderia inserir discussões nas escolas brasileiras como tópicos obrigatórios de debate.