As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 27/03/2021
“Construímos muros demais e pontes de menos”. Essa frase de Isaac Newton retrata bem a situação da crise humanitária dos refugiados enfrentada pelo mundo no século 21, uma vez que muitos países não têm escutado o grito de socorro de famílias que buscam exilar-se, seja de uma guerra civil, seja de perseguições religiosas, do seu lugar de origem. Essas barreiras que os separam são ocasionadas devido ao preconceito ainda existente na sociedade e à falta de atenção do Estado à questão.
Um primeiro entrave é a inospitalidade, em território brasileiro, prestada aos imigrantes refugiados, muitas vezes motivada pelo preconceito racial, político e religioso enraizado nas pessoas. Nessa perspectiva, cabe comparar o conceito de banalidade do mal definido pela filósofa Hannah Arendt: “Quando uma atitude agressiva acontece constantemente, a sociedade tende a vê-la como correta.” Como exemplo, pode-se citar a dificuldade na inclusão dessa minoria no mercado de trabalho, em que empregadores desinformados deixam sua discriminação xenofóbica transcender no momento de uma admissão empregatícia, levando esses sobreviventes a viverem em situações precárias de desamparo financeiro, fruto da naturalização de um preconceito étnico que não deveria existir.
Outro desafio enfrentado pelos refugiados na luta pela sobrevivência é a negligência estatal do país que lhes oferece abrigo. De acordo com Habermas, incluir não é só trazer para perto, mas também respeitar e caminhar junto. A frase do filósofo alemão mostra que, enquanto a aceitação dessas pessoas com status de refugiados no país não for ampliada a políticas públicas de acolhimento – como moradia, alimentação e emprego– que lhes são direitos humanos fundamentais, tal minoria continuará sendo afetada, intensificando os problemas interligados a desigualdade social que acometem a todos. Portanto, medidas são necessárias para combater o entrave supracitado. É imperativo que o Ministério da Justiça amplie, por meio do Comitê dos Refugiados, o “corredor humanitário” de abertura das fronteiras, facilitando o reconhecimento do visto para venezuelanos, sírios, angolanos ou qualquer pessoa de outra nacionalidade que solicitar refúgio em estado de emergência. Em adição, cabe ao Governo instalar um programa federal de ensino de línguas estrangeiras aberto à população, no horário noturno, possuindo como professores os imigrantes refugiados, para que esses tenham emprego em troca de uma ação funcional para a população. Feitas essas medidas, o Brasil estará mais próximo de alcançar um projeto real de democracia.