As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 21/05/2021

Corpos esquálidos. Semblantes cadavéricos. Essa é a fisionomia retratada no quadro ‘’Os retirantes’’ do artista Candido Portinari, que simboliza as dificuldades da vida e da travessia dos sertanejos fugidos da seca do sertão nordestino. De modo análogo, os refugiados da atualidade atravessam diversos obstáculos, à mercê da fome e do perigo para chegar em terras seguras. No entanto, ainda que eles consigam alcançar esses territórios, sua tortuosa trajetória permanece. Isso acontece em virtude da ausência de uma solidariedade global, que culmina numa parca garantia dos direitos humanos.

Em primeiro lugar, urge analisar a conduta paradoxal de países, principalmente dos desenvolvidos. No mundo globalizado, no qual as trocas são intensas, é inaceitável que, conforme o geógrafo Milton Santos, os fluxos econômicos encontrem poucas barreiras, ao passo que as fronteiras aos fluxos humanos são seletivas e estruturadas, muitas vezes, em princípios xenofóbicos. Os muros construídos nos Estados Unidos e em Estados europeus para barrar a entrada de imigrantes e refugiados são um exemplo disso. Percebe-se, dessa forma, que a integração humana não avançou na mesma medida que a econômica, o que gera impasses ao acolhimento.

Por conseguinte, tal panorama resulta na transgressão da dignidade humana. Isso porque 85% dos refugiados encontram-se em países pobres, ou seja, nações que não possuem recursos suficientes para lidar com essa demanda, de acordo com dados da ONU (Organização das Nações Unidas). Nesse sentido, os sistemas públicos, muitas vezes já instáveis, são sobrecarregados, e os direitos humanos dos expatriados, alimentação e abrigo, por exemplo, não são assegurados. Isso leva esses indivíduos a depender da ajuda da sociedade civil e de ONGs, como é evidente na minissérie ‘’Em Campo: Refugiados’’ do médico Drauzio Varella. Tal conjuntura pode resultar num caos social, com o aumento da criminalidade e da hostilidade entre as diferentes nacionalidades. Dessa maneira, a ‘’distribuição’’ da responsabilidade de atender os refugiados é fundamental para garantir não só a integridade humana como a estabilidade social dos países.

Do, as ONGs, referentes aos expatriados, e a sociedade civil dos diversos países devem se unir para protestar por mais ações nessa problemática. No que tange às nações ricas, como os Estados Unidos, França e Inglaterra, o corpo social deve clamar pela liberação da entrada de mais refugiados no país e pela ajuda financeira àqueles com grande contingente como a Turquia e o Paquistão. Já nos que recebem muitos exilados - Uganda e Sudão, por exemplo - deve-se fiscalizar se essa assistência está sendo utilizada para os fins pretendidos. Para que, assim, os refugiados possam recomeçar suas vidas de forma digna, sem corpos esquálidos ou semblantes cadavéricos. 5