As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 10/06/2021

Em uma das passagens do livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, Fabiano - personagem principal - se muda com sua família para uma nova cidade fugindo da seca. Porém, é insultado e humilhado por um morador local. Traçando uma analogia com a obra, hodiernamente, muitos refugiados mudam dos países de suas nacionalidades buscando auxílio e encontram dificuldades de acolhimento. A negação da presença dessas pessoas nos países estrangeiros e a xenofobia presente na população local são fatos que agravam esse entrave.

A priori, cabe ressaltar que muitos países criaram barreiras burocráticas para impedir a entrada de pessoas refugiadas em suas nacionalidades. Nessa perspectiva, em 1804, Napoleão Bonaparte, imperador francês da época, iniciou na Europa, baseado em interesses industriais, o Bloqueio Continental, impedindo a Inglaterra de se relacionar comercialmente com os outros países. Analisando esse acontecimento histórico, nota-se que, com os difíceis vistos para entrada em determinados territórios e a ausência de projetos assistencialistas para refugiados,  o auxílio a essas pessoas não é uma realidade. Desse modo, elas são bloqueadas por leis e interesses econômicos, não sendo acolhidas por essas nações.

Outrossim, vale salientar que, ocasionalmente, quando essas pessoas encontram um lugar para refúgio, não recebem o apoio da população devido às divergências culturais. Dessa maneira, segundo a visão do diplomata Nicolau Maquiavel, os preconceitos têm mais raízes do que princípios. Nessa análise, a população local, em geral, não fornece apoio sócio emocional para essas pessoas que estão passando por um momento difícil em suas vidas, vivenciando um choque cultural, por conseguinte, não os dão chances de emprego e os excluem do convívio social . Assim, os nativos da região os julgam e discriminam por não possuírem empatia por esses indivíduos.

Portanto, fica evidente que medidas devem ser tomadas capazes de mitigar as dificuldades de acolhimento para essa parcela da sociedade. Logo, urge que os governos, nas figuras dos poderes legislativos nacionais, responsáveis pelas criações das leis, formulem normas legais que tornem obrigatória a criação de projetos assistencialistas para esse fenômeno. Também é necessário que esses mesmos agentes diminuam a burocracia para entrada de pessoas que estão vivenciando conflitos, ou um cenário nefasto em seus países, com a formulação de convietes de entrada a esses cidadãos, com o fito de acolhê-los e ajudá-los efetivamente. Além disso, é importante que os meios midiáticos apresentem programas, para todas as faixas etárias de idade, que mostrem a realidade vivida por essas pessoas em seus países, com o propósito de gerar mais empatia na sociedade local.