As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 22/06/2021
A música “Até Quando”, de Gabriel, o Pensador, elenca como principal crítica a comodidade do brasileiro frente aos problemas sociais. Infelizmente, essa situação serve de símbolo para o conformismo social diante as dificuldades do acolhimento de refugiados, uma vez que é a passividade dos indivíduos que dá continuidade à problemática no país. Dessa maneira, a negligência governamental, bem como a falta de debates, faz com que esta situação negativa persista.
Sob essa perspectiva, a omissão estatal é uma causa latente da questão. Nesse contexto, Aristóteles, célebre pensador, disse, em seu livro ´´Ética a nicômano``, que o objetivo da existência da política é garantir a felicidade dos cidadãos. Lamentavelmente, o Estado brasileiro atual contraria a ideia do filósofo, cada vez que é negligenciados os debates sobre as medidas de proteções aos refugiados, além de não haver comprometimento das políticas públicas para solucionar o problema. Logo, evidencia-se um cenário de descaso às garantias constitucionais.
Além disso, é necessário evidenciar que o silenciamento contribui para a existência do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Em síntese, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a necessidade do acolhimento e de todo o preconceito contra as pessoas migrantes, o que favorece a falta de conhecimento da sociedade sobre a questão, tornando sua resolução mais dificultada.
É inaceitável, portanto, que o acolhimento aos refugiados seja um impasse no território brasileiro. Cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, criar uma campanha de conscientização sobre a importância de acolher os refugiados, visando mitigar às precariedades e impetuosidades que acontecem com essas pessoas no país. Nele, deve constar que a campanha vai acontecer em espaços públicos e escolas, com palestras mensais sobre a necessidade haver esforços melhores e coerentes por parte do poder público, além de debater o tema nas redes sociais do ministério. Desse modo, a comodidade representada na canção não será realidade no Brasil.