As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 30/07/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que as dificuldades existentes para o acolhimento de refugiados representam barreiras, as quais dificultam os planos de More. Por isso, faz-se mister a análise dos fatores favorecedores desse alarmante quadro, com foco na ausência de políticas públicas eficazes e no preconceito.
Seguindo esse contexto, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais de efeito para acolher refugiados. Desse modo, estrangeiros que se refugiam no Brasil, por não conseguirem se instalar nas cidades brasileiras, recorrem ao improviso, o que contribui para o avanço da favelização nas periferias. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o seu dever que garantir aos indivíduos o desfruto de direitos indispensáveis, como a segurança - já que as favelas não são planejadas estruturalmente - o que, infelizmente, é notório no país.
Ademais, o preconceito contra refugiados, existente na sociedade brasileira, é impulsionador dessa problemática. Nesse viés, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na “Modernidade Líquida” vigente, a falta de solidez nas relações sociais, econômicas e políticas facilita a manipulação. Dessa forma, a liquidez societal em questão, existente no Brasil, faz com que os indivíduos, ao se depararem com fake news de tendência desfavorável à abertura das fronteiras para refugiados, tendem a ser menos receptivos, acreditando que refugiados representam risco à cultura ocidental, bem como a possibilidade de terrorismo. Entretanto, segundo a refugiada Mariamah Bah, “somos jovens com sonhos, não temos só histórias tristes, temos vitórias”, o que mostra que os refugiados, mais do que pessoas que fugiram de seu país por risco de vida, têm histórias e sonhos, mas precisam enfrentar o preconceito diário na terra que os recebem. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar. Depreende-se, portanto, que o Executivo, por meio do capital arrecadado pela Receita, expanda a criação de campos de refugiados, permitindo, dessa forma, acolhimento total dessas pessoas, com alimentação, assistência médica e educação, o que reduzirá drasticamente o crescimento das favelas. Além disso, o mesmo órgão tem o dever agir na desconstrução do preconceito existente na sociedade, propagando, através da mídia, materiais propagandísticos que contam histórias de vida, como a de Mariamah, o que deve permitir melhor receptividade dos refugiados nas cidades brasileiras, bem como maior reconhecimento no mercado de trabalho. Assim, será consolidada uma sociedade mais segura e empática, em que o Estado cumpre corretamente o “Contrato Social”, tal como afirma John Locke.