As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 03/08/2021

Se Albert Einstein permanecesse na Alemanha, a sua genialidade poderia não ser tão conhecida como é hoje, felizmente ele encontrou oportunidades na América e não foi uma vítima direta do Holocausto Nazista. Entretanto, mais de seis milhões de judeus passaram pelo extermínio étnico durante o período da Segunda Guerra Mundial, aqueles que conseguiram fugir tornaram-se refugiados. Tal quadro não se restringe ao século XX, atualmente, muitas pessoas no mundo são apátridas, devido a uma associação de fatores que violam os direitos humanos. Portanto, essa questão dos refugiados deve ser discutida, visando melhor inserção desse grupo no corpo social, que é uma consequência da violência sistêmica exercida pelas instituições sociais cada vez mais xenofóbicas.

A princípio, para Michel  Foucault, em seu livro “Vigiar e Punir”, a sociedade passou por uma processo de institucionalização da violência, fazendo com que uma teia de relações sociais fosse criada, buscando domesticar corpos que tornam-se dóceis. Por esse viés, o apoio do capital e das forças coercitivas de grupos hegemônicos faz com que preconceitos, disfarçados de opiniões, passem despercebidos pela população mais alienada. No contexto dos refugiados, está acontecendo o avanço de políticas xenofóbicas e proteccionistas em todo o mundo que têm objetivo de excluir esse grupo, enquanto uma parte da população dos países que os recebem apoia tais circunstâncias por causa das forças coercivas, esquecendo-se que esses também são pessoas que possuem seus próprios direitos.

Ademais, é notável que a vinda de refugiados está sendo mal interpretada por parte da população. A alteridade, palavra advinda do latim que significa “ser o outro”, parece estar desaparecendo a cada dia no século XXI, esse fenômeno se explica por meio do conceito de “Banalidade do Mal”, de Hannah Arendt. Por consequência da violência cotidiana contra os apátridas, as pessoas passam a normalizar atos violentos e consideram uma forma inerente de tratá-los, colaborando para o processo de marginalização dessa população, além de causar danos irreversíveis a psique. Consolidando, por fim, essa teia coercitiva que engloba todo o corpo social inconscientemente, dificultando o acolhimento.

Enfim, é necessário que medidas sejam tomadas para que os refugiados sejam acolhidos de forma melhor. No Brasil, uma medida a ser tomada seria a criação de programas sociais para equalizar sua inserção na sociedade, por exemplo, a criação de cotas sociais para refugiados que possuem interesse em ingressar numa universidade pública, essa ação seria realizada pelo Ministério da Educação e Ministério da Justiça. Essa iniciativa iria colaborar para a formação de mão de obra qualificada para o país e também para melhorar a qualidade de vida desse grupo, consolidando análises críticas mais criteriosas e possibilitando que novos pontos de vista sejam trazidos para a sociedade brasileira.