As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 16/08/2021

Carlos Drummond de Andrade, em seu poema " No meio do caminho", retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do poema do contista não tenha sido escrito sob o viés social, percebe-se um alinhamento com a realidade, no que tange aos desafios do acolhimento de refugiados. No sentido de que, esse, é um notório problema que persiste sem solução, à custa da falta de políticas públicas e de consciência social.

Em primeiro plano, vale destacar a ideia de Aristóteles que afirmou que o objetivo principal da política é garantir a felicidade dos cidadãos. No entanto, é notório que essa tese do filósofo não se aplica à questão dos emigrados, vide a ausência de planejamento político para a recepção e adaptação desse público. Em sua maioria, ao chegarem no país desejado, encontram falta de estrutura que promova capacidade laboral ou utilize a mão de obra, já existente, de alguns indivíduos. Assim, sem o comprometimento das nações em aplicar políticas públicas para solucionar o impasse, observa-se que noção de bem-estar, da qual defende o sábio, não se materializa, por isso, a resolução do cenário é praticamente utópica.

Ademais, é fulcral salientar que a pensadora Hanna Arendt, em seu livro “Banalidade do mal” refletiu sobre o processo de massificação social, onde todos os indivíduos possuem o mesmo padrão de gostos e comportamentos. Com efeito, quando se fala sobre os expatriados, é fácil perceber que a concepção defendida pela escritora tem total relação com a temática, já que o que não é discutido não tem capacidade de gerar consciência social na população. Nesse viés, pessoas capacitadas para fornecerem empregos e oportunidades para os exilados, muitas vezes não se manifestam devido ao medo do desconhecido e falta de compreensão quanto ao impacto positivo que poderiam gerar neste grupo. Logo, nota-se que o Estado, como detentor do dever de conscientizar sua pátria sobre seus direitos e bens sociais, mostra-se indiferente em relação a problemática, tomando essa uma das causas nocivas da questão.

Portanto, fica evidente a necessidade de intervenção na questão do acolhimento de refugiados. Para tanto, a Organização das Nações Unidas, englobando os países envolvidos quanto ao tema, deve criar um projeto social para combater a lacuna governamental em relação aos desterrados. Tal programa deve incentivar, até mesmo com subsídios, empresários locais a empregarem esse coletivo e, também, criar propagandas nas mídias sociais relacionadas ao tema, com o intuito de gerar a reflexão da trama. Espera-se, dessa forma, que a população possa exercer seu protagonismo e trabalhar em parceria com o poder público.