As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 18/08/2021

O “Ensaio sobre a cegueira”, livro de José Saramago, fala sobre a responsabilidade de ter olhos quando os outros já os perderam, fazendo uma reflexão sobre a cegueira moral, cultural e ética nas sociedades. No mesmo viés do autor, pode-se fazer uma analogia entre a cegueira da sociedade perante as dificuldades do acolhimento de refugiados. Dessa forma, é fundamental analisar a problemática que tem a má influência midiática e a lógica capitalista como principais causas.

Em primeiro plano, caber abordar que a priorização de interesses financeiros é um entrave nesse problema. Para Bauman, as relações tornaram-se efêmeras devido a uma lógica capitalista. Tal constatação é nítida nas dificuldades do acolhimento de refugiados, uma vez que os imigrantes, em sua maioria, são rejeitados pela população de um país por um pensamento competitivo relacionado ao fato de achar que esses irão diminuir a quantidade de vagas de emprego. Além disso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos considera promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, no entanto, com um egoísmo direcionado pela economia, fica difícil uma boa relação entre um país e pessoas advindas do resto do mundo em busca de asilo. Logo, urge inverter a lógica capitalista.

Outrossim, a má influência da mídia  é um desafio presente nesse cenário.  Pierre Bourdieu explica que o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de viabilizar debates que elevem o nível de informação da população, por meio de filmes ou reportagens, influencia na consolidação do problema. Ademais, há um silenciamento instaurado pela mesma, quando pouco se fala ou se vê sobre o assunto em televisões e outras redes de massa, gerando a desinformação na maioria dos indivíduos, os quais passam a enxergar, de forma inconsciente e preconceituosa, a presença de estrengeiros buscando refúgio. Sendo assim, é mister que esse fator não se perpetue.

Em síntese, é fulcral que medidas sejam tomadas com intuito de mitigar os impactos causados pelas dificuldades do acolhimento de refugiados. Para isso, o Estado deve, por meio da destinação de verbas, promover campanhas publicitárias nas redes sociais, as quais conscientizem a população da importância de ter solidariedade para com aqueles que estão tendo seus direitos humanos violados, para que mídia passe a influenciar de forma benéfica e o preconceito existente seja banalizado. Deve, ainda, por meio de projetos de leis, em parceria com outros países, criar centros de asilos em todas as regiões do país visando não só atender ao maior número possível de refugiados, como também propiciar vagas de empregos para os moradores já exitentes ali, para findar o pensamento egoísta. Sendo assim, a cegueira será apenas parte do livro.