As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 25/08/2021

“Última Mensagem de Hiroshima”, livro autobiográfico de um dos sobreviventes do trágico ataque nuclear de 1945, traz, além de fortes críticas à Segunda Guerra Mundial, debates acerca da questão migratória, dada a condição de refugiado que o autor deparou-se ao imigrar para o Brasil após o conflito. Em seus relatos na obra em questão, Takashi propõe reflexões acerca do choque cultural e do crescimento pessoal e comunitário advindo dele, o que evidencia o caráter positivo da imigração, contudo, também reflete encontradas na nova terra, ligadas, principalmente, à intolerância com o estrangeiro. É com base nisso e, não obstante, em outros processos históricos e sociais que é possível afirmar que há predominância da xenofobia entre os dificultadores para o sucesso cultural e econômico que fluxos migratórios podem proporcionar quando administrados de forma correta.

De início, vale destacar tais benefícios que podem advir da recepção de imigrantes e refugiados. Como exemplo, pode ser citado o Canadá, que, nas últimas décadas, frente ao eminente envelhecimento desproporcional de sua população, tem facilitado a entrada de estrangeiros no país, a fim de evitar futuros problemas previdenciários. Esse fato, demonstrando uma das inúmeras vantagens da questão imigratória, aponta para a possibilidade de um crescimento conjunto entre sociedade e imigrantes, sendo eles refugiados ou não.

O problema, contudo, é a intolerância com o estrangeiro, o que acaba dificultando a integração do indivíduo ao seu novo Estado. Já nessa situação, um fato demonstrativo é a política imigratória dos Estados Unidos que, além de conter em seu território campos de reclusão para refugiados desde a vigência de Barack Obama enquanto presidente da república, também tende a marginalizar seus estrangeiros, o que resulta no surgimento de comunidades como o Bronx, em Nova York, que, significantemente formado por latinoamericanos, enfrenta grande negligência governamental e alarmantes taxas de criminalidade.

Discutido tal cenário, é visível a necessidade de uma educação que busque preparar as sociedades ao redor do globo para o contato com outras culturas, dado o aumento dos fluxos migratórios no século XXI. Para tanto, a Organização das Nações Unidas deve elaborar propostas de projetos e materiais didáticos que abarquem o tema para serem apresentados nas escolas de todo o mundo, além de divulgados massivamente nas redes sociais, com o objetivo principal de reduzir a intolerância cultural que ainda acomete a humanidade como um todo. Assim, o crescimento cultural pincelado em “Última Mensagem de Hiroshima” será, cada vez mais, uma realidade recorrente e paupável.