As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 27/08/2021

A brusca invasão do Talibã, grupo extremista religioso, ao Afeganistão gera diariamente milhares de refugiados, que saem em busca de uma vida com melhores condições. Entretanto, a realidade dos refugiados é marcada por diversas dificuldades. Assim, torna-se pertinente pontar as dificuldades do acolhimento de refugiados no Brasil.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que os refugiados lutam contra a xenofobia diariamente. Nesse cenário, uma pesquisa publicada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que 60% dos homens haitianos, vindos como refugiados para terras brasileiras, sofrem de xenofobia. Em adição, uma análise realizada pelo Ministério Público do Trabalho, informa que 33% das discriminações trabalhistas são contra refugiados, principalmente os originários do Haiti e países da África. Nesse interim, um estudo produzido pela ONU (Organização das Nações Unidas), alega que 76% dos homicídios em território brasileiro envolvem exilados e afro-brasileiros. Nessa perspectiva, é indubitável que a xenofobia afeta tanto a parte psicológica e empregatícia dos refugiados.

Ademais, os refugiados buscam abrigo em campos disponibilizados pela ONU, para que a população possa viver enquanto não conseguirem uma maneira de se instalarem em um país com um vínculo contratual. Todavia, em pesquisa realizada pela ONU, essa população exilada vive em torna de 17 anos em campos até que consigam se estabelecer devidamente. Neste contexto, uma vez que aproximadamente metade dos refugiados são menores de idade, sendo que em torno de 50% delas não têm acesso às escolas, diz ACNUR, agencia da ONU para refugiados. Tais dados são alarmantes, uma vez que os jovens exilados sem o apoio escolar são vulneráveis ao trabalho infantil, à exploração sexual e, quando adultos, um difícil alcance a cargos de elevada remuneração, visto que não possuem escolaridade.

Entende-se, portanto, que não só o  o Ministério do Trabalho deve penalizar, através de multas ou, em casos mais graves, de prisões, a população proclamadora de xenofobia em âmbito trabalhista, com o intuito de gerar o pensamento de igualdade na cidadania e diminuir os índices de problemas psicológicos gerados pelo ato xenofóbico; mas também o Ministério da Educação deve disponibilizar vagas escolares para todos os refugidos, através da criação de escolas próximas aos campos de exilados, com o intuito de educar todas as crianças e possibilitar a elas uma menor vulnerabilidade e uma maior chance de sucesso no ramo do trabalho.