As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 08/09/2021

O escritor Franz Kafka afirma que a solidariedade é o melhor sentimento que expressa a dignidade humana. No entanto, observa-se que, no Brasil, há um distanciamento entre a ideia de Kafka e a realidade deficitária de acolhimento dos refugiados, haja vista a massiva apatia e a indiferença frente à situação precária de acolhida, muitas vezes, marcada pela forte repressão e pela falta de oportunidades ofertadas a esse grupo. Nesse sentido, em virtude da insuficiência governamental e da carência de empatia coletiva, emerge um problema complexo.

Em primeiro plano, a falta de eficiência legislativa caracteriza-se como causa latente dessa questão. A esse respeito, o filósofo Jonh Locke defende que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis” para demonstrar a necessidade de atuação prática do Estado. Nessa lógica,  percebe-se que a falta de acolhimento devido aos refugiados é explicada, em parte, pela ausência de um governo que vise atuar diretamente no panorama banalizado das pessoas que buscam melhores condições de vida no país, mas que são marginalizadas e invisibilizadas pelo aparato legislativo. Diante disso, tal cenário é observado, seja pela falta de amplos centros públicos de moradia e acolhida necessária desses indivíduos negligenciados, seja pela ausência de programas governamentais que facilitem a vida dos refugiados, como benefícios financeiros e bolsas estudantis. Assim, fica clara a inoperância estatal nesse infeliz quadro nacional.

Além disso, o individualismo humano contorna a problemática. Nesse contexto, a filósofa Hannah Arendt definiu a “banalidade do mal” como sendo a reprodução de atitudes indevidas sem reflexão e empatia coletiva. Sob essa análise, por estarem em outra situação, muitos brasileiros não percebem a realidade dos refugiados com a devida empatia e, por vezes, contribuem com a opressão que esses indivíduos sofrem,de maneira a instalar um acolhimento instável e prejudicial à vida das pessoas que fogem de cenários caóticos. Dessa forma, ora pelo patriotismo exarcerbado que fomenta a aversão diante de nacionalidades diferentes da vivenciada, ora pela falta de sentimento de coletividade que violenta e segrega os refugiados, a empatia será distanciada desse impasse coletivo.

Portanto,  torna-se substancial uma resolução. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania formular uma campanha pública que valorize os refugiados, bem como estimule um acolhimento correto, por meio do relato anônimos de vítimas estrangeiras da repressão e apatia social, com a finalidade de promover uma solidariedade e acolhida devida.Ademais,  essa campanha deve ser divulgado em locais públicos, como ônibus e ruas por intermédio de panfletos e “outdoors”. Logo, possivelmente, a ideia de Kafka será verificada no Brasil atual.