As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 21/09/2021

“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de movimentos migratórios, as dificuldades de acolhimento de refugiados funcionam como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de informações e de um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.        Em primeira análise, a carência de acesso ao conhecimento sobre movimentos migratórios e sua importância apresenta-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão das pessoas determinam sua compreensão acerca do mundo. Nessa fala, o filósofo justifica a causa da problemática: se os indivíduos não possuem informações corretas — dados, exemplos, histórias — sobre a importância da migração para refugiados, como exemplo, haitianos e senegaleses que fogem do país natal por perseguições políticas ou motivos econômicos de crise inflacionária e vem para o Brasil em busca de melhores qualidades de vida. Com isso, o campo de visão será limitado, e a sociedade sofrerá com cidadãos em “repouso irracional”, ou seja, negacionistas desinformados quanto à ajuda humanitária e, consequentemente, proliferando piores condições de existência para itinerantes que dependem de outra localidade para sobreviver.

Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre a questão dos refugiados mostra-se como outro fator dificultador do bem-estar civilizacional. Conforme Hannah Arendt, na teoria da “banalidade do Mal”, “o ato preconceituoso passa a ser feito de forma inconsciente quando os indivíduos normalizam tal situação”, comparando com ideias de senso comum que circulam cotidianamente sobre refugiados, por exemplo, que eles irão destruir a cultura vigente. Por esse ângulo, essa atitude preconceituosa é normalizada devido ao passado histórico de construção patriótica e nacionalista brasileira em que a inclusão de pessoas de outras nacionalidades abalaria o estado forte que estava se formando, sendo esses ideais enraizados na criação familiar dos cidadãos e proliferados sem consentimento. Por isso, é evidente que combater essa trivialidade preconceituosa sobre imigrantes evita que mais pessoas sofram com atrocidades de guerras, violências e desigualdades a que muitos refugiados vivem.

Portanto, medidas são necessárias para diminuir as dificuldades de acolhimento de refugiados. Por conseguinte, cabe à escola realizar palestras, ministradas por psicólogos, com “slogan”: “Acolhimento”. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo  entre o público presente e o especialista sobre a importância das das migrações e como elas construíram a cultura brasileira, com dados e exemplos reais, de modo que incentive a empatia nos participantes, resultando na informatização social.