As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 19/09/2021
Na Turquia, em meados de 2015, Alan Kurdi, uma criança síria, se tornou símbolo das adversidades enfrentadas pelos refugiados, ao morrer durante a travessia do mar Egeu. Dentro dessa realidade, a história de Alan denota a omissão dos Estados perante às questões humanitárias. Dessa forma, é importante compreender a complexidade dos motivos que permeiam o requinte de dificuldade que os países encontram ao lidarem com essa crise, e, dentre eles, o crescimento do sentimento de xenofobia nos países receptores e o descompromisso desses com os pactos promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Primeiramente, é importante salientar o crescimento expressivo da xenofobia no mundo, com destaque para os países da União Europeia (EU). Ao passo que a crise econômica de 2016 assolou o mundo, e resultou na elevação dos níveis de desemprego, houve também o fortalecimento de partidos de extrema direita, que defendem políticas contra a concessão de refúgio, devido, principalmente, a crescente entrada de refugiados no bloco. Dentro dessa perspectiva, não são raros os episódios de austeridade contra imigrantes em território europeu. Além disso, muitos países, como a Noruega, optaram pela construção de muros nas divisas utilizadas pelos estrangeiros, com finalidade de dificultar a travessia desses. Desse modo, fica evidente a problemática detrás dessa crise humanitária, uma vez que os países preferem construir barreiras físicas do que fornecer asilo àqueles que buscam apenas sobreviver.
Ademais, outro fator que interfere diretamente nessa temática é a falta de consciência global a respeito desse problema, já que, muitos países, como o Estados Unidos da América, e o próprio Brasil, não são signatários do Pacto Global para a Migração da ONU. Esse acordo visa a, por meio de recomendações, atenuar a questão da crise de refugiados no mundo. Assim, os interesses geopolíticos se colocam na contramão da emergência humanitária, e demonstram a omissão do mundo com o aspecto mais importante dessa jornada, que são as vidas que estão sendo perdidas em decorrência das guerras, perseguições políticas e religiosas, mas também, pela negligência praticada por estes países. Por fim, fica claro que o mundo requer de novas estratégias para abordar essa crise humanitária. Portanto, cabe à ONU, atuar na criação de campanhas que difundam as dificuldades que os refugiados encontram, por meio do amplo uso das redes sociais e dos meios de telecomunicação, com a finalidade de aumentar a consciência e a empatia do mundo a respeito dessa problemática. Com isso o movimento contra a concessão de refúgio será enfraquecido. Dessa maneira, os casos como o de Alan Kurdi não serão mais uma realidade no século XXI.