As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 21/09/2021

Nos primórdios da humanidade, o homem era um ser nômade, mudando-se conforme as condições locais se tornassem inadequadas para sua sobrevivência. No entanto, com o tempo, esses adotaram um estilo de vida sedentário e criaram fronteiras delimitando territórios. Desse modo, tais limites, que hoje originam os países, são um grande entrave para o acolhimento dos que necessitam fugir de situações adversas devido à dificuldade de alocá-los e ao preconceito dos governantes e moradores.

Sob tal viés, cabe notar, primeiramente, que, segundo a geografia, um refugiado se encontra nessa situação em decorrência de conflitos ou de desastres naturais que levam um grande contingente de pessoas a necessitar de abrigo internacional. Nesse contexto, esse elevado fluxo populacional resulta em grandes problemas devido à ausência de preparo dos locais de destino para acomodá-los. Segundo a Declaração universal de direitos humanos da ONU, entretanto, esses possuem o direito à vida e à segurança e, independente das dificuldades resultantes desse deslocamento emergencial, os demais países devem fazer o possível para abrigá-las de forma digna, o que ainda não ocorre. Dessa forma, é fundamental que os países no entorno de áreas de risco se preparem adequadamente para receber esses indivíduos em casos de necessidade, fazendo valer seus direitos ao oferecê-los não somente moradia, mas condições dignas de existência.

Além disso, outro ponto relevante a ser analisado é a resistência interna ao abrigo desses imigrantes. Como pôde ser observado nas últimas décadas, principalmente com casos como o “Brexit”, muito noticiado pelas redes de notícia como a BBC, o próprio governo e/ou população dos países destino muitas vezes barram, ou dificultam, a entrada desses indivíduos em seus territórios, rejeitando oferecer refúgio por acreditarem que serão prejudicados pela chegada de pessoas a mais no país. Dessa maneira, a exemplo dessa polêmica saída do Reino Unido da União Europeia, fica claro que não são somente as dificuldades estruturais internas que dificultam o acolhimento, mas também o preconceito institucionalizado contra esses indivíduos.

Portanto, podemos concluir que tanto as dificuldades de acomodação do grande volume de pessoas se deslocando quanto o preconceito das populações no entorno são as principais barreiras para a alocação de refugiados. Por esse motivo, cabe à ONU articular países de forma a distribuir proporcionalmente esse contingente entre seus territórios e a criar um fundo internacional que os auxilie, minimizando o impacto do recebimento desses indivíduos e mostrando aos cidadãos locais que esses não perderão espaço e investimento para os recém chegados. Somente assim, as fronteiras poderão deixar de representar entraves e, finalmente, se tornarem possibilidades de um futuro melhor.