As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 30/09/2021

No filme “Human Flow: não há lar se não há para onde ir”, o diretor Ai Weiwei retrata as dificuldades que os asilados enfrentam ao deixar seu país natal, como a pouca receptividade e as humilhações oriundas de outros países. Dentre essas adversidades, evidencia-se as privações à moradia, ao saneamento básico e aos empregos, além das discriminações sociais. Em consonância à obra cinematográfica, no Brasil, os refugiados sofrem diariamente com a xenofobia e com a marginalização. Portanto, é imprescindível que os países se empenhem para mudar a atual conjuntura.

De acordo com o ativista político Martin Luther King, a injustiça que ocorre em um certo lugar, põe em risco a justiça em todo o mundo, logo, os países que não estão em conflitos armados ou religiosos, nem em subdesenvolvimento, devem agir conjuntamente para amparar os expatriados. Tendo em vista que esses apresentam melhor qualidade de vida para aqueles que estão fugindo da pobreza ou de perseguições religiosas, sociais ou raciais. Ademais, para o diretor da Human Rights Watch -organização internacional não governamental que defende os direitos humanos- os países pertencentes à União Europeia devem abrigar os asilados com compaixão, pois essa é uma responsabilidade para com os direitos humanos. No entanto, os países que abrigam os refugiados enfrentam uma série de dificuldades, como a falta de infraestrutura para receber essas pessoas e de oferta de emprego, acarretando o baixo acesso ao saneamento básico, alimentação, moradia e o aumento do índice de criminalidade.

Além disso, o professor de Direito Internacional da UFRN, Jahyr Philippe Bichara, afirma que se o Estado brasileiro não agir com investimentos eficazes em infraestruturas e políticas públicas responsáveis pelo acolhimento de apátridos, o Brasil continuará enfrentando a problemática de precarização, exclusão e marginalização de expatriados na sociedade. Logo, a fim de estabelecer uma relação benéfica entre o país e os refugiados, necessita-se que o primeiro solucione as dificuldades de acolhimento.

Por fim, com o intuito de fornecer condições dignas para os refugiados, o Ministério da Cidadania -agente responsável pelas políticas de desenvolvimento social no Brasil- deve criar políticas públicas de inclusão de expatriados na sociedade. Isso deve ser realizado por meio da criação de instituições que assegurem o acesso desses indivíduos à saúde, alimentação, moradia e à escolaridade. Para que assim, no futuro, não haja discriminações e que o Brasil possa ser visto como um país acolhedor para aqueles que não possuem um lugar para chamar de lar.