As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 04/10/2021

A “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, esquematizada pela Organização das Nações Unidas, estabelece as condições mínimas para que haja dignidade na vida dos homens, garantindo segurança, alimentação e liberdade a todos. Entretanto, conflitos políticos em alguns Estados do globo inviabilizam tal realização e criam circunstâncias desumanas para seus habitantes, suscitando a migração. Infelizmente, o acolhimento desses refugiados perpassa dificuldades que precisam ser superadas: a “favelização” do ambiente urbano e a exclusão social. Destarte, é fundamental analisar os fatores que tornam essa problemática realidade.

Convém ressaltar, a princípio, o despreparo das nações para a recepção dos imigrantes no que concerne à infraestrutura urbana, o que os obriga a aderir às instalações “clandestinas” nas margens das cidades e impulsiona a “favelização” do ambiente. O livro “O Cortiço”, da autoria de Aluísio de Azevedo, ilustra tal cenário e denota os prejuízos da separação entre a “Cidade” e a periferia: segregando espaços, a contribuição social e econômica que poderia ser ofertada pelos refugiados é perdida e gera-se uma falta de identificação entre o indivíduo e o meio, o que fomenta a pobreza e a violência, já que tais pessoas não têm acesso ao mercado de trabalho ou às oportunidades citadinas. Logo, o acolhimento de estrangeiros demanda políticas habitacionais e planejamento arquitetônico.

Ademais, cabe ainda citar a recusa das populações nativas em integrar os imigrantes dentro da dinâmica social, o que dificulta a “normalização” da vida dessas pessoas. Ao deixarem seus países, os estrangeiros abrem mão de tudo que construíram para buscar asilo longe da violência que colocava suas vidas em risco, como ocorre na Guerra da Síria, no Oriente Médio. Assim, ajudar na integração interpessoal de refugiados é assegurar, acima de tudo, a reconstrução de uma vivência quase perdida. Dessa forma, a criação de grupos tal qual o “Time de Refugiados”, das Olímpiadas de 2016, é uma maneira de contornar a dificuldade na inclusão de imigrantes.

Portanto, torna-se evidente a necessidade de ações que cessem as dificuldades no acolhimento aos refugiados. Desta maneira, urge que a Organização das Nações Unidas, por meio de uma parceira com o setor imobiliário privado dos países integrantes, ponha em prática um programa de incentivo à moradia digna para refugiados, de modo em que a locação dessas pessoas permita o contato com os grandes centros e o acesso às oportunidades da cidade. Além disso, as administrações dos Estados nacionais devem estabelecer grupos locais de integração que, por meio de reuniões comunitárias, possibilitem o desenvolvimento social do migrante para que estes desenvolvam a noção de pertencimento.   Assim, será possível a construção de nações preparadas para receber refugiados,