As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 14/10/2021

O filme “Primeiro eles mataram meu pai”, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, narra a biografia de Loung, uma refugiada política obrigada a fugir do Camboja ainda criança após o assassinato do seu pai. De fato, a crise humanitária dos refugiados têm recebido os holofotes da mídia a cada nova tragédia, contudo, isso necessáriamente significa que os desafios dessa problemática estão sendo superados?

Nesse sentido, em primeiro plano, é preciso compreender que, apesar dos conflitos serem geograficamente limitados, o desafio dos refugiados pede um manejo global. A maioria dos indivíduos que fogem dos seus países o fazem devido devido a conflitos armados de etiologia política, religiosa ou territorial. Contudo, mesmo eles sendo vítima de países onde as bases legais e institucionais ruíram, quando conseguem proteção em outras nações -sobretudo europeias- são estigmatizados e vistos como “outsiders”. Em decorrência disto, não é raro ver políticos ardilosos que, para aumentarem suas popularidades, usam de fenômenos sociológicos como “Pânico Moral” e “Construção de Ameaça”, ou seja, valem-se da confusão e do medo para destilar xenofobia e criar uma dicotomia de “nós e eles” em relação aos nativos e refugiados.

Sob esse viés, o papel político das instituições é indispensável, uma vez que nesse caso a omissão representa uma conivência silenciosa com o intolerável. Em 2015 a foto de Aylan, uma criança síria encontrada sem vida -de bruços- em uma praia turca, escancarou a cruel realidade de quem precisa decidir entre uma perigosa fuga e uma permanência aterrorizante. Ademais, qualquer postura de indiferença frente a tão lúgubre situação vai de encontro ao que a filósofa alemã Hanna Arendt chamou de “Banalidade do Mal”, isto é, a apatia geral em face da barbárie.

Assim sendo, a fim de mitigar os efeitos da crise dos refugiados, faz-se necessário uma coalizão dos países constituintes da ONU (Organização das Nações Unidas) e OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com o objetivo de conceder, via FMI (Fundo Monetário Internacional), um incentivo financeiro para os países que mais recebem refugiados, como Turquia e França. Desse modo, pode-se tencionar um progressivo alívio dessa situação, permitindo com que histórias como de Loung continuem a sensibilizar-nos e garantindo que tragédias como a de Aylan nunca mais se repitam.