As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 17/10/2021

Na canção “Manifestação”, membros da classe artística nacional vincluam a conquista de direitos sociais - como a saúde físico-mental - à luta coletiva contra padrões de conduta ultrapassados e, a longo prazo, desgastantes. Contudo, o contexto brasileiro ainda torna ao regresso de tais esforços quando se observa as dificuldades do acolhimento de refugiados na sociedade hodierna, uma ameaça à universalização dessas prerrogativas. É mister, por isso, compreender sua ocorrência como resultado da negligência educacional e da falta de inclusão cultural.

Convém ressaltar, destarte, que, diante da hostilidade a imigrantes africanos nas redes sociais - fruto do racismo estrutural -, a pífia abordagem escolar sobre o entrave omite a importância da heterogeneidade social da nação. Conforme o filósofo Sócrates, o processo de aprendizagem deve provocar a reflexão discente quanto a opiniões prefixadas, de modo a reverter ultrajes no pensamento do aluno. Todavia, a partir da evidente tecnicização da aprendizagem nacional, o corpo educador abre mão do debate pautado em inúmeras pré-concepções que banalizam anseios minoritários, o que, ao mesmo tempo, afronta o ideário do pensador e perpetua condutas discriminatórias contra mais esse nicho da população negra. Assim, tal conjuntura endossa, na internet, linchamentos verbais centrados em afro-brasileiros naturalizados, devido à carência de criticidade infanto-juvenil.

Seria imprudente omitir, outrossim, que a marginalização de refugiados de etnias asiáticas nos ambientes públicos de socialização - em grande parte, estimulada por suas exóticas feições - advém de sua diminuta representatividade na produção artística nacional. Nesse sentido, a célebre franquia de gibis “Turma da Mônica” supera raízes primitivistas na cultura do Brasil quando, consoante ao título de “país da diversidade” por ele adquirido, demonstra a plena possibilidade de inserção de nativos do Oriente no cotidiano por meio de Hiro - personagem de descendência japonesa, o qual possui capacidades interativas similares aos demais membros das tramas. Infelizmente, ainda é limitada a cobertura de uma miríade de “Brasis” presentes em toda a federação na arte, uma vez que esta, por muito tempo, idealizou formas e condutas humanas. Assim, estrangeiros nipo-chineses são segregados em detrimento da integração social.

O Estado deve, portanto, combater os desafios do acolhimento a imigrantes. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação - órgão distribuidor de recursos ao cenário educacional brasileiro - crie, por meio de verbas governamentais, palestras escolares acerca do tema, a fim de relacioná-lo à exclusão artística. Ademais, cabe ao IBGE a renovação de dados que tangem à ciberdiscriminação centralizada, com o fito de evidenciar suas proporções. Somente assim os almejos da canção serão concretizados.