As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 22/10/2021

Historicamente, a Guerra Fria, ocorrida de 1945 a 1989, foi responsável pelo conflito geopolítico mundial entre Estados Unidos e União Soviética, os quais, devido ao poderio bélico bipolarizaram o mundo no período. No entanto, a vitória norte americana transformou a antiga estrutura em multipolar, ou seja, globalizada, em que a dependência econômica entre os países tornou-se natural -fluxo de informações, mercadorias e capital. Porém, a permanência de conflitos em diversas regiões ainda é evidente e promove a saída de milhares de pessoas para outros locais a fim de melhores condições de vida. Essa realidade somada a tendência atual de crescimento da intolerância pelas mídias digitais e a normatização da maldade retratam as dificuldades no acolhimento aos refugiados no Brasil.

A princípio, a Revolução Tecnica-Científica e Informacional, a partir de 1970, impulsionou o avanço da biotecnologia, robótica e telecomunicações, as quais, tornaram possíveis o advento das tecnologias -computadores e celulares. Logo, a conexão global efetivou-se a com a enorme quantia de informações disponíveis mas a necessidade de lucro sobre isso proporcionou a venda de milhares de noticiais falsas, nomeadas internacionalmente de “Fake News”. Assim, a dificuldade principal no acolhimento aos refugiados refere-se ao estereótipo perante essas populações, criadas pela mídia, como associar o terrorismo a um homem islâmico a fim de criar uma rede de intolerância.

Nesse sentido, a socióloga Hannah Arendt intitulou o termo “Banalização no Mal” ao referir-se ao processo de normatização da violência física e moral na sociedade moderna, em que o cotidiano de vivências em uma realidade desumana torna os indivíduos acostumados a isso. Portanto, outra dificuldade no amparo aos refugiados exemplifica-se na dualidade das relações sociais, em que existem grandes avanços tecnológicos mas pouco impacto relacionado aos fatores humanitários.

Por fim, para finalizar com as dificuldades no acolhimento aos refugiados no Brasil é essencial que o Ministério da Educação torne obrigatório o ensino, nas escolas públicas, de geopolítica mundial relacionada principalmente a países em conflito. Para realizar essa ação deve-se aumentar a carga horária semanal das aulas de história e geografia, com a contratação de professores das universidades públicas, de cada região, a fim de proporcionar o esclarecimento relacionado ao impacto das redes de comunicação na deturpação e criação de esteriótipos sobre os refugiados. Além disso, com o intuito de transformar a “Banalização do Mal” em um fator a ser combatido, pois o símbolo do avanço da Revolução Tecnica-Científica e Informacional deve perpassar a tecnologia e adentrar nas relações interpessoais. Somente assim, a globalização será efetivamente realizada de forma humana, a partir da abertura nas nações aos refugiados do mesmo modo que abrem-se para o capital e mercadorias.