As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 17/11/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos- promulgada em 1948- prevê, em um dos seus artigos, o direito à proteção aos refugiados. No entanto, ao se observar o contexto atual, no qual há uma imposição de barreiras ao acesso dos asilados a outros países, nota-se que a efetivação do documento não ocorre como desejável na prática. Nesse contexto, é necessário discutir acerca das dificuldades do acolhimento dos emigrados no Brasil, que estão intrinsecamente ligados à falta de apoio estatal e à xenofobia.
Em uma primeira análise, é válido ressaltar que a negligência governamental é um fator corroborante à temática. De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas , em 2020 o número de refugiados no Brasil cresceu cerca de 65% com relação ao ano anterior . Entretanto, a adoção de políticas públicas -voltadas à inserção no mercado de trabalho e à educação- não acompanhou esse crescimento, o que contribuiu para a vulnerabilização desses asilados. Por conseguinte, é notória a necessidade de uma ação estatal para solucionar a problemática.
Em uma segunda análise, é imprescindível destacar que o preconceito é um impulsionador do problema. Conforme salienta Zygmunt Bauman ,um dos maiores intelectuais do século XX, o individualismo é o maior conflito da pós- modernidade, tendo em vista que as pessoas se alheiam aos problemas que não lhe abrangem. Analogamente, os refugiados são constantemente discriminados , pois são associados a situações conflituosas - como ao roubo e à prostituição- o que dificulta sua inserção no âmbito social . Com isso, fica evidente que a falta de empatia da população favorece a marginalização dos emigrados.
Urge, portanto , que medidas sejam implementadas para mitigar esses obstáculos. Em virtude disso, é mister que o Governo invista em políticas públicas voltados ao acolhimento dos refugiados , por meio da criação de programas sociais - como cursos profissionalizantes- com o intuito de inserir-lós socialmente. Além disso ,é necessário que o Ministério das Comunicações conscientize a população acerca da situação dos asilados , por meio de propagandas explicativas e emotivas, com a finalidade de trazer ao espectador um sentimento de alteridade. Só assim, será possível garantir o direito estabelecido na Declaração Universal dos Direitos Humanos.