As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 13/03/2022
Na obra “Uma teoria da justiça”, o filósofo John Rawls defende a importância de exercer a equidade e de ceder mais a quem tem menos para que a justiça seja plena. Entretanto, no caso dos refugiados (indivíduos forçados a deixar o solo pátrio por variados motivos), observa-se que o preconceito e a falta de políticas de inclusão eficientes prejudicam a adimplência do ideal supracitado. Diante disso, cabe ao Estado fomentar a integração adequada dos refugiados no Brasil e, à sociedade, a conscientização acerca do tema.
Sob esse viés, tem-se que a atuação governamental é essencial para o estabelecimento da homeostase (equilíbrio) social. Nesse ponto, tal assertiva é ratificada pelo entendimento do diplomata Filippo Grandi, especialista no tema dos refugiados, o qual alega que as nações devem combater a xenofobia assim como atuam contra o tráfico, uma vez que a primeira mata mais do que a própria guerra. Desse modo, evidencia-se que o primeiro passo para o manejo da causa consiste no gerenciamento estatal com vistas à inclusão social.
Outrossim, salienta-se que a sociedade deve assumir o protagonismo em prol das próprias demandas. Nesse ínterim, o antropólogo Roberto DaMatta, em " Carnavais, malandros e heróis", conclama o povo a agir e deixar de esperar dos políticos soluções miraculosas para todas as mazelas sociais. Por conseguinte, conforme o autor, torna-se claro que para que o amparo ao refugiado seja efeito, a inércia popular deve ser superada e um trabalho consistente de conscientização deve ser iniciado, ainda, no seio familiar e nas escolas.
Isso posto, depreende-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes da solução em pauta. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão para atuar no acolhimento dos refugiados. Para isso, uma boa medida consiste na veiculação, em suporte digital e televisivo, de trabalhos de orientação popular com foco em mitigar a xenofobia repassar à população a necessidade de incluir o próximo, além de formas objetivas de apoio, como doações e campanhas sociais. Assim, no médio prazo, espera-se que o número de refugiados em situações precárias seja reduzido e que o país desfrute de um ambiente mais harmônico.