As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 28/08/2022

Segundo a Organização das Nações Unidas, no início de abril do presente ano, mais de 4,4 milhões de ucranianos haviam abandonado sua pátria, desde a invasão ordenada pelo presidente russo, Vladimir Putin, em 24 de fevereiro. Nesse aspecto, é evidente que o acolhimento de refugiados suscita desafios a serem superados pelos países de reassentamento. Dentre eles, a xenofobia e a morosidade burocrática figuram como principais impasses.

Em primeira instância, cumpre salientar que a recepção hostil das nações de destino corrobora tal crise. Sob esse viés, observa-se que, em razão dos contrastes culturais, o tratamento discriminatório direcionado aos estrangeiros por uma parcela dos nativos manifesta-se, frequentemente, em atos de violência. Como exemplo, tem-se o caso de Moïse Kabagambe, um congolês de 24 anos que foi espancado até a morte num quiosque do Rio de Janeiro. Dessa forma, faz-se notória a conjuntura de vulnerabilidade humana das populações desalojadas.

Outrossim, vale ressaltar que a vagarosidade da atuação dos órgãos judiciais agrava a mazela. Nesse sentido, verifica-se demasiada lentidão no processamento dos pedidos de asilo dos imigrantes forçados, situação que os mantêm num patamar de marginalização e subcidadania. Sob esse prisma, consoante o Comissariado das Nações unidas do Quênia, mais da metade dos exilados passam mais de 16 anos em abrigos temporários, locais dotados de precária infraestrutura. Logo, essas populações têm, constantemente, seus direitos negligenciados.

Depreende-se, portanto, que a estigmatização e a ineficiência governamental obstaculizam o acolhimento dos expatriados. Urge, então, que o Ministério da Justiça e Segurança Pública - instituição encarregada da defesa da ordem jurídica, dos direitos políticos e das garantias constitucionais - promova a diminuição dos trâmites relativos às solicitações de reconhecimento da condição de refugiado, por intermédio da reformulação das normas do Comitê Nacional para os Refugiados, a fim de reduzir o período de permanência em acampamentos provisórios. Ademais, é mister a veiculação de campanhas publicitárias nas mídias que estimulem a solidariedade com os emigrados, por meio da exposição do caos socioeconômico que motiva os deslocamentos. Dessarte, atenuar-se-á tal imbróglio no país.