As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 25/09/2022
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada a história de uma sociedade perfeita e ideal, fundamentada em leis justas e instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade. No entanto, a realidade vivenciada por muitos, na contemporaneidade, distancia-se ficção, uma vez que o não acolhimento de refugiados é um problema que atinge todo corpo social, o que acaba por impedir a concretização da teoria de More. Diante disso, é importante destacar dois aspectos como principais impulsionadores da adversidade: a negligência governamental perante a situação e a indiferença populacional.
Em uma primeira análise, é imperativo destacar o descaso governamental como um dos principais fatores que corroboram para persistência do impasse. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro ‘‘O Príncipe’’, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem-universal. Entretanto, é notório que as autoridades competentes rompem com essa conformidade, visto que não existem medidas realmente efetivas em prol do acolhimento de pessoas refugiadas, o que acaba por deixar milhares de indivíduos sem amparo social. Desse modo, é inadmissível que tal cenário perdure, tendo em vista que fere o príncipio da isonomia, no qual todos devem ser tratados de maneira igualitária perante a lei.
Ademais, outro fator que vale a pena ser ressaltado é o desinteresse social acerca da problemática. Nesse sentido, Zygmunt Bauman expressa que, em tempos de modernidade líquida, as relações sociais formam-se com rapidez e inconstância, e o descaso com próximo, torna-se ordinário. Não distante do pensamento do sociólogo, é possível notar que, na atualidade, as relações entre os indivíduos têm se tornado cada vez mais superficiais e frágeis, fazendo com que a compaixão se tornasse inexistente, o que acaba por colocar inúmeros indivíduos em um estado de extrema vulnerabilidade econômica, social e emocional. Logo, é inaceitável que, em pleno século XXI, a volatilidade impacte os cidadãos de modo a desorganizar as esferas do corpo social, como o amor ao próximo.