As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 11/11/2022
O século XX trouxe, com a ciência moderna, fortes evidências quanto ao fluxo migratório dos homínideos há 2,7 milhões de anos a.C.: realidade que, não pode_
ria deixar de representar o quadro do pintor John Smith do poema de Campbell sobre o “Último Homem”, mostrando o sol vermelho desaparecendo do céu e to_
do o solo do primeiro plano feito de ossos e crânios. Para o ACNUR, outro não é, o retrato do cotidiano dos refugiados que, como no paleolítico, foram obrigados à deixarem o seu lar para sobreviverem. Enquanto isso, no Brasil, a ausência de uma política pública de prevenção e reparação deste sofrimento não só esbarra no acolhimento, como também na ressocialização deste grupo.
Primordialmente, tais objetivos são extraídos do art. 5° da Lei Maior e, avul_ ta-se, pois, diante dos atos da Governo Federal, a violação do direito à liberdade e à proibição ao retrocesso social. Nessa linha, o ACNUR observou que, em 2021, o Itamaraty respondeu à apenas 10,6% das solicitações de refúgio, mantendo as_ sim, o Estado distante de alcançar os objetivos de construir uma sociedade livre, justa e solidária.
Além disso, insta pontuar que na conjuntura atual, os refugiados são, normal_
mente, objetificados pela indústria midiática. Nesse viés, a notícia limitar-se-á ao notório construto de espetacularização da tragédia, relacionando à imagem do refugiado as circunstâncias que o pisotearam tão duramente. Impende, portanto, que a socialização destes indivíduos é atravancada, mais uma vez, pelo preconceito.
Parafraseando a escritora Clarice Lispector, entende-se a história em sua ple_ nitude, quando ouvida com a atenção mais séria.