As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 10/05/2023
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o acolhimento adequado de refugiados apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário é fruto tanto do descaso governamental do país acolhedor, quanto da xenofobia. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Em primeira análise, é fundamental pontual que o péssimo acolhimento de refugiados deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir a dignidade e o bem-estar da população; entretanto, isso não ocorre nos países acolhedores. Devido à falta de atuação das autoridades, os refugiados acabam não tendo acesso à educação, à saúde e à saneamento básico, ficando sem direitos sociais e às margens da sociedade. Desse modo, faz-se necessário a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperioso ressaltar a xenofobia atua como impulsionador do acolhimento ineficaz de refugiados. Segundo Émille Durkheim, “ambiente patológico” é aquele que prejudica o convívio social e desestabiliza a consciência coletiva. Partindo-se desse pressuposto, a nossa realidade caracteriza-se como tal: é notório as hostilidades sociais (não aceitação no mercado de trabalho), bem como culturais contra esses povos exilados. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o preconceito social contribui para a perpetuação desse quadro deletério.