As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 16/10/2023

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca das dificuldades ao acolhimento de refugiados. No filme “Humanflow”, do ativista político Weiwei, é documentado as dificuldades que as pessoas deslocadas encontram pelo caminho, tais como travessias perigosas, humilhações e baixa recepctividade. Sob esse viés, é necessário excogitar nas problemáticas que tangem ao assunto no Brasil, como a desinformação populacional e a insuficiência governamental.

Primeiramente, conforme o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento da democracia, não deve se tornar mecanismo de opressão. Nesse sentido, é nótorio que a mídia não cumpre o seu papel com responsabilidade ao promover — em programas de TV, redes sociais — informações enganosas que propagam julgamentos e xenofobia — medo ou aversão aos estrangeiros. Como exemplo disso, em Roraima, houve uma série de ataques à Venezuelanos por conta de notícias regionais nas quais esse público era posto como culpado pelo aumento da criminalidade e a falta de empregos. Dessa forma, fica evidente que as oligarquias políticas locais usam o preconceito para se livrar de críticas relacionadas à precariedade dos serviços públicos, incentivando a hostilidade contra estrangeiros.

Ademais, a vigente escassez de projetos governamentais que abrace a causa do refugiados ameaça a expectativa desses povos em buscar uma vida melhor. Nessa ótica, a obra “Cidadão de Papel”, do jornalista Gilberto Dimenstein, apresenta um contexto social em que as garantias constitucionais estão restritas somente à parte escrita, não sendo colocadas em prática. Sendo assim, os refugiados podem ser considerados de papel, tendo em consideração que os direitos garantidos pela Constituição Federal — segurança, trabalho e igualdade — não são destinados somente aos brasileiros, mas também à estrangeiros. Logo, ao invés de produzir meios de amparar essas pessoas, as falhas do governo culminam em mais obstáculos na integração dos refugiados na sociedade.