As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 27/06/2024

O conto “O Sonho de um Homem Ridículo”, de Fiódor Dostoiévski, apresenta a his- tória de um personagem que, em um sonho, habita em uma sociedade perfeita, a qual é marcada pela ausência de problemas sociais. Fora do enredo ficcional, a

conjuntura brasileira opõe-se à idealizada na obra apresentada, uma vez que os desafios para a inclusão de refugiados na sociedade brasileira é um empecilho a ser superado socialmente. Dessa maneira, nota-se um imbróglio impulsionado tan- to pela falta de investimento quanto pela apatia social.

Sob esse viés, a ausência de investimento é essencial para que os impasses para a inclusão dos refugiados no país ainda seja presenciado na sociedade brasileira atu- almente. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital- pensamento explicado por filósofos como Marx. Nesse sentido, para serem resolvidos obstacu- los dentro do contexto capitalista, faz-se necessário investimento financeiro. De acordo com o levantamento da Fundação Getúlio Vargas(FGV) a taxa média de in-

vestimentos em ações públicas relacionadas ao eixo de refúgio foi de apenas 17,7% do PIB entre 2011 e 2020, bem abaixo dos picos de 21,9% dos anos 70 e 80, por isso, os entraves sociais tornam-se duradouros e infindáveis.

Ademais, a apatia coletiva configura-se como mais um problema ligado aos desafi-

os da inclusão dos refugiados. Sob essa óptica, no trecho “ficar de frente para o mar, de costas para o Brasil, não vai fazer desse lugar um bom país”, da música “Notícias do Brasil”, de Milton Nascimento, constata-se uma crítica à nação brasile- ira por sua negligência aos problemas sociais voltados para a população que é refugiada no país. De maneira análoga, os versos ganham contornos específicos no território Tupiniquim, pois casos como invisibilidade e desrespeito ainda não foram resolvidos e continuam apáticos socialmente. Diante disso, vê-se uma banalização.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para mudar esse cenário. Assim, é preciso que o Governo Federal- que tem como função cuidar de assuntos de intere-

sse nacional- crie uma agenda para os desafios dos refugiados, por meio da organi- zação de projetos, a fim de intervir a inércia estatal. Tal ação, pode contar com consultas públicas, por intermédio das redes sociais. Assim, é possível que os ho-

mens possam usufruir de uma sociedade como a do conto de Fiódor Dostoiévski.