As dificuldades do acolhimento de refugiados

Enviada em 14/03/2025

A Bíblia, livro mundialmente conhecido, retrata a história de Jesus Cristo e é a base da maior religião do mundo, o cristianismo. Seu início detalha a perseguição causada pelo rei Herodes às crianças menores de dois anos, fato que obriga a família de Jesus ao exílio no Egito. Analogamente, as dificuldades no acolhimento de refugiados contribuem, infelizmente, para uma grande segregação dos emigrados, causada principalmente pela falta de estrutura de alocação e pela xenofobia.

Em primeiro lugar, países subdesenvolvidos como o Brasil passaram por um processo de urbanização rápido e desorganizado, resultando em grandes áreas periféricas. Sendo assim, os exilados, ao chegarem a um novo país, com suas dificuldades linguísticas e financeiras, enfrentam novas batalhas na busca por emprego. Esse período de adaptação e assentamento os obriga a residir nas zonas periféricas, lugares onde as políticas públicas demoram a chegar, com altas taxas de criminalidade, mas, ao mesmo tempo, baixo custo de vida. Dessa maneira, as estruturas de alocação de emigrantes devem ser melhoradas, assim como sua inserção linguística e ajuda financeira.

Em segundo lugar, o filósofo Immanuel Kant defendia a ideia de que o ser humano deve ser respeitado em sua dignidade. Em oposição, o conceito de xenofobia está intrinsecamente ligado à discriminação sobre nacionalidade diferente, ferindo a ideia proposta por Kant e acentuando as adversidades enfrentadas por estrangeiros. Os principais destinos de refugiados são países com normas mais flexíveis sobre a problemática e com formação social plural, como é o caso do Brasil. Ainda assim, em 2023, registrou-se um aumento de 874% nas denúncias de casos de xenofobia.

Portanto, a pujante segregação de refugiados vai contra o ensinamento religioso de Jesus Cristo: “Amai-vos uns aos outros.” Assim, cabe à ONU, órgão internacional de defesa dos direitos humanos, por meio de representantes de cada país, elaborar uma Constituição de Tratamento ao Emigrante, com a finalidade de garantir o acesso democrático às políticas públicas e, por conseguinte, a dignidade, como defendia Kant.