As dificuldades do acolhimento de refugiados
Enviada em 24/03/2025
A obra “Morte e Vida Severina”, escrita pelo modernista brasileiro João Cabral de Melo, apresenta à triste vida do retirante nordestino Severino, na qual é marcada por várias mazelas como a marginalização, fome e miséria.Nesse sentido, nota-se que analogamente ao retirante, os refugiados também enfrentam dificuldades ligados ao acolhimento no Brasil. Logo, fica explícito o quanto a passividade social e a cultura de exploração de refugiados atrapalham a resolução do problema.
Em primeiro plano, é preponderante destacar que a omissão social impede a superação da falha do acolhimento dos emigrados. Nesse escopo, torna-se imprescindível citar o sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda que, em seu livro “Raizes do Brasil”, apresenta o conceito de “homem cordial, o qual descreve um traço cultural brasileiro marcado pela primazia das relações pessoais sobre a mobilização para o bem coletivo. Tendo em vista a ideia citada, percebe-se que o obstáculo para a remoção da alienação comunitária é a falta de engajamento causada pelo apego aos vínculos humanos, gerando assim, uma zona de conforto para as pessoas não impactadas pelo imbróglio.
Outrossim, a cultura de exploração de refugiados no Brasil evidencia a vulnerabilidade desse grupo, que, devido à necessidade de sobrevivência, aceitam trabalhos com condições precárias e desumanas. Nesse sentido, é importante frisar a fala do pensador brasileiro Millôr Fernandes, nessa ele afirma que o Brasil tem um enorme passado pela frente. Sob essa perspectiva, nota-se que a utilização abusiva da mão de obra barata de refugiados acontece desde o período colonial, quando os africanos foram trazidos a força para serem escravizados.
Portanto, é essencial superar os impasses ligados às dificuldades para o acolhimento de emigrados. Para isso, cabe ao Poder Legislativo, junto ao governo Federal, órgão responsável pela garantia dos direitos dos cidadãos, formular políticas e diretrizes para a promoção da recepção de refugiados no Brasil. Isso acontecerá, por meio da criação do Plano Nacional “Acolhe Brasil”, que terá como objetivo criar um auxílio econômico para esse grupo e implementar uma lei de cotas para incentivar a inserção de trabalhados refugiados em empresas . Logo, a realidade presente na obra “Morte e Vida Severina” não se fará presente no Brasil.