As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 10/09/2025

No filme “Você não estava aqui”, o diretor Ken Loach retrata a vida de um traba-lhador de delivery que tenta lidar com a pressão da produtividade sem nenhum di-reito trabalhista ou seguro social. Sem desconsiderar o caráter fictício da produção, é possível concluir que o sistema trabalhista brasileiro vem sofrendo diversas mo-dificações com o avanço da tecnologia, causando uma precarização da força de tra-

balho ao redor do país. Sob esse viés, torna-se imprescindível compreender como a uberização e o inacesso à educação tecnológica afetam o ingresso do jovem no mercado de trabalho brasileiro.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a pandemia do COVID-19 afetou diretamente a crise da informalidade do trabalho no Brasil. De acordo com o so-ciólogo Ricardo Antunes, com uma taxa de desemprego chegando a 12% durante a pandemia, as empresas brasileiras criaram uma solução idealizada para a situação: o trabalho autônomo. Apesar da romantização da uberização do trabalho por mui-tos, esse novo modelo apenas trivializa a instabilidade da jornada laboral, desva-lorizando a força de trabalho da população, especialmente os jovens, e condicio-nando a hostilidade entre a necessidade imediata de geração de renda e a inse-gurança da falta de reconhecimento dos direitos dos trabalhadores.

Além disso, é importante destacar que o acesso à educação influencia fortemente a empregabilidade do jovem brasileiro. Assim como afirma o sociólogo Pierre Bourdieu, o capital cultural – conjunto de bens materiais e culturais que formam a sociedade– define o sucesso de classes econômicas abastadas no mercado de tra-balho ao perpetuar hierarquias e não reconhecer a carga intelectual de indivíduos de outras origens socioeconômicas.

Portanto, é de extrema importância combater esse cenário. Para tal, é necessário que os ministérios do Trabalho e da Educação elaborem um projeto de lei que re-gulamentarize a carga horária e o financiamento de seguros sociais aos trabalha-dores autônomos, além de reformarem o currículo escolar, de forma que inclua a valorização de saberes culturais diversos. Assim, será possível reconhecer e prepa-rar o jovem brasileiro como protagonista do mercado de trabalho, independente de seu cargo escolhido.