As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 05/11/2025

Em O Povo Brasileiro, o antropólogo Darcy Ribeiro descreve o país como uma civilização em formação, construída sobre bases desiguais e excludentes. Essa visão se mantém atual quando se observa a situação dos jovens que tentam ingres-sar no mercado de trabalho. No Brasil contemporâneo, a falta de oportunidades, o ensino defasado e as exigências excessivas de experiência formam um cenário de exclusão social e frustração. A juventude, muitas vezes vista como inexperiente e descartável, enfrenta barreiras que impedem sua autonomia financeira e o exercí-cio pleno da cidadania.

Sob a perspectiva de Maquiavel, em O Príncipe, “os homens esquecem mais facilmente a morte do pai do que a perda do patrimônio”, o que evidencia o caráter econômico que guia as relações humanas. No mercado atual, tal lógica se traduz na priorização do lucro e da produtividade sobre o desenvolvimento humano. Assim, empresas tendem a valorizar profissionais já consolidados, negligenciando os jo-vens em busca do primeiro emprego. Essa dinâmica reforça o ciclo de desigualda-de, pois sem experiência não há oportunidade e sem oportunidade, não se adquire experiência.

Ademais, a filósofa Hannah Arendt, ao discutir o conceito de banalidade do mal, afirma que a injustiça se perpetua quando as pessoas se tornam indiferentes ao sofrimento alheio. No contexto brasileiro, a dificuldade dos jovens em acessar o mercado de trabalho é tratada com naturalidade, como se fosse um obstáculo indi-vidual e não uma falha estrutural. A passividade da sociedade diante desse proble-ma contribui para a manutenção da exclusão e para a perpetuação de um sistema que limita o potencial produtivo e criativo da juventude.

Dessa forma, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com o Mi-nistério do Trabalho e Emprego, amplie programas de capacitação profissional e ofereça incentivos fiscais a empresas que contratem jovens aprendizes. Paralela-mente, as mídias de comunicação devem promover campanhas que valorizem o trabalho juvenil e combatam o preconceito contra a inexperiência. Por fim, é neces-sário fortalecer o Ensino Técnico Integrado, aproximando a educação das deman-das do mercado.