As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 28/09/2026
No filme “Cidade de Deus”, o personagem “Buscapé”, em meio a um contexto de extrema pobreza e violência, busca realizar o sonho de ser fotógrafo de um jornal carioca, galgando espaço dentro da empresa sob um esforço hercúleo. Fora da ficção, essa realidade reflete-se no Brasil contemporâneo, em que a garantia de direitos fundamentais como educação e trabalho não se materializa para juventude brasilera. Desse modo, a negligência institucional e a vulnerabilidade social difucultam o ingresso de jovens no mercado de trabalho.
Diante desse cenário, vale destacar que os obstáculos enfrentados pelos jovens ao ingressarem no mercado de trabalho são produto da omissão governamental, pois observa-se a falta de políticas públicas educacionais e a desindustrialização. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, preconiza, em seu artigo 6º, os direitos sociais - como educação e trabalho - os quais configuram deveres do Estado. No entanto, o cenário da juventude brasileira demonstra o oposto, já que há milhares de desempregados. Diante dessa condição alarmante, o Estado deve ampliar o número de escolas técnicas — qualificando a mão de obra - e promover uma reindustrialização — criando novos campos de trabalho.
Outrossim, cabe apontar a desigualde social como propulsora dessa mazela, uma vez que jovens em situação de vulnerabilidade enfrentam maiores desafios para terem uma formação profissionalizante. Sob essa ótica, segundo o sociólogo Florestan Fernandes o capitalismo dependente e subdesenvolvido brasileiro gera uma estrutura excludente, na qual as classes trabalhadoras e marginalizadas são privadas de acesso igualitário aos bens culturais, educacionais e profissionais, perpetuando sua subalternidade na sociedade. Dessa forma, enquanto o Estado negligenciar a garantia de oportunidades equânimes, a marginalização social continuará a retroalimentar esse cenário de vulnerabilidade.
Cabe, portanto, ao Ministério da Educação ampliar as vagas nos Institutos Federais e as bolsas de permanência, em parceria com a iniciativa privada, para expandir programas de capacitação e primeiro emprego. Assim, mitigar-se-á a desigualdade social na inserção profissional.