As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 12/10/2018

A Constituição de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - concede o direito à todo cidadão de possuir trabalho, conforme  artigo 6. Todavia, o crescente nível de desemprego no país, em particular os jovens, impede que este direito seja usufruído na prática, em razão da procura por jovens mais qualificados e a negligência do Estado. Com efeito, não é razoável que o país esteja inerte à problemática.

Inicialmente, a ação do Estado em garantir o primeiro emprego ao jovem está anelado historicamente. A esse respeito, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), no período do Estado Novo, foi criado com o intuito de fornecer proteção de trabalho. Nesse contexto, o Governo, na contemporaneidade, não tem consolidado e efetivado essas leis aos cidadãos jovens. Em consequência, a decadência dos direitos trabalhistas é nítida e a garantia do primeiro emprego é desprezado, constituindo grave problema na sociedade brasileira.

Outrossim, o despreparo emocional e profissional do jovem, no período escolar, dificulta sua inserção no mercado trabalho. Nesse sentido, Confúcio, filósofo chinês, expôs a importância da escolha de um ofício, orientando a escolha de um trabalho que goste para, assim, não ter de trabalhar nem um dia na tua vida. O filósofo atribui o trabalho como ascensão pessoal e a necessidade de seguir sua vocação pessoal, contrapondo-se à realidade atual, onde a pouca oferta de emprego junto à carência de encorajamento e apresto pelo Estado aos jovens é refletido numa pesquisa do Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada (IPEA), que pouco mais de um quarto dos jovens estão desempregados.

Em suma, urge a necessidade de ações governamentais que resolvam esse impasse. Cabe ao Ministério do Trabalho o dever de ampliar o  programa Jovem Aprendiz no país, por meio de palestras nas escolas que visem incentivar o interesse dos alunos pela qualificação profissional. Ademais, inserir a disciplina Empreendedorismo no ensino médio é fundamental, com a finalidade de permitir  ao aluno a busca pela própria vocação. Com essas medidas, as dificuldades de inserção no mercado de trabalho, pelos jovens, serão atenuadas e os direitos garantidos, desde a Era Vargas, não serão negligenciados.