As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 30/10/2018

Ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig, fascinado pelo potencial da nação, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a dificuldade da inserção de jovens no mercado de trabalho no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente o menoscabo governamental referente ao ensino e a inexperiência juvenil, bem como a necessidade de medidas governamentais para solucionar o impasse.

Mormente, é indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que o equilíbrio seja alcançado no corpo social. De maneira análoga, é possível perceber que o ensino nas instituições educacionais, que é precário e pouco prepara os estudantes para o mercado de trabalho, rompe essa harmonia, haja vista que nas escolas o ensino é de baixa qualidade e são escassos cursos de qualificação profissional, e nas universidades o acadêmico entra sabendo pouco e sai apenas com o diploma, sem a convicção de que aprendeu algo relevante em sua trajetória acadêmica. Assim, ao sair em busca de uma oportunidade no mercado as dificuldades são ainda maiores.

Outrossim, a falta de experiência dos jovens dá impulso ao desemprego de tal público. Isso ocorre porque as empresas preferem um trabalhador mais experiente, que é mais velho, seja para contratar ou para permanecer no emprego, com o fito de manter sua produtividade. Dessa forma, o número de jovens desempregados tende a aumentar, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o desemprego entre jovens está três vezes maior que entre as demais classes trabalhadoras.

Urge, portanto, políticas públicas para mitigar as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho. Destarte, o Ministério da Educação deve investir em melhor capacitação dos estudantes, por meio de um maior investimentos em cursos técnicos nas escolas e uma intensificação no ensino das universidades, com parceria com empresas, a fim de preparar adequadamente o aluno para o mercado. Ademais, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, o Ministério público deve oferecer editais para a contratação de jovens em instituições públicas, que trabalhem sob a supervisão de um funcionário experiente, transmitindo-lhes dicas e conhecimentos, além de, ao final do processo de preparação, palestras e dicas para entrevistas de emprego podem ser ministradas por pedagogos, objetivando maiores chances de contratação. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.