As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 01/11/2018
Ocorrida no século XVIII, a Revolução Industrial redefiniu o conceito de trabalho e produção em massa. Nessa perspectiva, vale ressaltar que uma das principais características desse movimento foi o emprego da mão de obra feminina e infantojuvenil, o que estabeleceu um novo aspecto no contexto socioeconômico mundial: a afirmação do jovem no campo profissional. Contudo, na contemporaneidade brasileira, evidencia-se uma realidade juvenil vítima de um alto nível de desemprego, gerado essencialmente pela carência de capacitação, bem como o forte preconceito vivido por esse grupo.
Em primeira análise, denota-se o cenário educacional brasileiro. Assim, para o filósofo prussiano, Immanuel Kant, “o homem é o que a educação faz dele”. Nesse sentido, observa-se o poder persuasivo de mudança que as ferramentas pedagógicas podem proporcionar. Entretanto, no Brasil, ainda há uma forte banalização do setor socioeducativo, já que ele sofre com falhas e negligências quanto a promoção de medidas que visem capacitar alunos. Diante disso, aparelhos tecnológicos, como computadores, unido a cursos técnicos voltados para a área da informática, administração e gestão financeira, são elementos escassos no cotidiano escolar. Essa defasagem reflete uma juventude carente de incentivos profissionalizantes.
Outrossim, o desemprego entre adolescentes demonstra ter cor e gênero. Nesse viés, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego entre jovens negros e pardos, em 2018, supera os 60 por cento, enquanto entre as adolescentes ela chega a mais de 14 por cento. Dentro dessa óptica, é evidente a persistência de um aspecto segregador no ideário nacional, o qual se relaciona com o contexto histórico do país, visto que o racismo e o machismo são umas das principais características do período colonial brasileiro. Dessa forma, nota-se que a discriminação persuadiu como uma barreira para o ingresso do jovem no mercado de trabalho.
Destarte, é nítida a deficiência governamental quanto a promoção de estratégias que insiram o adolescente no contexto profissional, através de incentivos e livrando-se de esteriótipos. Portanto, cabe ao Governo Federal, unido ao Ministério da Educação, implementar, nos mais diversos institutos educacionais do país, cursos e aprendizados técnicos, voltados para a área da tecnologia e do comércio, que objetivem enriquecer o currículo do estudante. Além disso, o Ministério do Trabalho, aliado ao Ministério Público, deve criar um programa avaliatório, que seja aplicado em empresas, a fim contratar qualquer personalidade jovem, por meio de um sistema que avalie sua capacitação e não sua cor de pele e seu sexo. Assim, o futuro da nação poderá gozar de elementos ainda ausentes em sua realidade: a qualificação e a igualdade.