As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 28/10/2018

Com o advento da Revolução Industrial no século XVIII e o desenvolvimento do modelo de produção toyotista, as empresas passaram a exigir, cada vez mais, um trabalhador multifuncional, extremamente qualificado para seu ofício. Entretanto, nota-se uma clara dificuldade no ingresso dos jovens no mercado de trabalho, haja vista que estes, muitas vezes, não se enquadram no padrão de “currículo experiente” almejado pelas companhias. Resultado do distanciamento das universidades com a indústria, combinado a um ensino estratificado, muitos adolescentes veem as portas do mercado de trabalho se fechando.

A princípio, um olhar atento para a história permite perceber que esse paradigma não é atual: durante o governo de Getúlio Vargas, o então presidente decidiu criar o programa “Jovem Aprendiz”, hodierno, para inserir o jovem estudante à realidade do mercado de trabalho nacional. Por possuir uma carga horária flexível e uma gama de oportunidades, esse projeto ainda é visto como promissor no Brasil. Contudo, as dificuldades para a sua efetização são grandes, uma vez que a maioria dos postos de trabalhos estão designados para pessoas mais velhas e com mais conhecimento.

Sob esse viés, é inegável que o distanciamento das empresas das universidades, assim como a falta de oportunidades e o desprezo sistemático pelo ensino são fortes pilares que sustentam essa mazela. Para ilustrar, sabe-se que a maioria dos universitários se graduam sem terem exercido nenhum ofício e, mesmo que se configurem como profissionais em potencial, acabam sendo deixados em “segundo plano” pela falta de experiência. Tal fato é exemplificado pelos dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que mostram como o desemprego entre jovens está três vezes maior que entre as demais classes trabalhadoras.

Urge, portanto, a necessidade de medidas que solucionem esse impasse. Para isso, é importante que o Ministério da Educação, por ser o órgão responsável pelo ensino no país, direcione junto à Receita Federal, verbas para que as universidades possam investir nas empresas júnior formadas pelos próprios estudantes, a fim de possibilitar maiores experiências e, assim, chances de contratação. Além disso, cabe ao próprio núcleo educacional, em parcerias público-privadas, promover um intercâmbio de conhecimento ao criar, por exemplo, projetos de trabalhos em meio período nas empresas, sob a tutela de um profissional, para a trocar conhecimentos e ajudar na formação dos futuros trabalhadores. Só assim, com ações contínuas, o modelo toyotista poderá ser flexibilizado de forma garantir oportunidade a todos.