As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 21/10/2018
Intimamente relacionado ao desenvolvimento das civilizações ao longo da história, o trabalho sempre foi a conexão entre o indivíduo e a sociedade, de modo a promover o bem individual e coletivo. No entanto, hodiernamente, as dificuldades dos jovens ingressarem no mercado de trabalho, haja vista uma estrutura educacional rígida, bem como o aumento das exigências qualificatórias revelam-se como as contradições mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Dessa forma, convém analisar as vertentes que englobam essa inadmissível realidade.
Em primeiro plano, é indubitável que o modelo educacional brasileiro configura-se como um dos pilares do problema. Nesse sentido, quando o renomado educador Paulo Freire ressalta a importância de o ensino considerar elementos próprios da vida cotidiana de seus participantes, evidencia-se a necessidade de engajamento laboral na escola contemporânea. Porém, contrariando essa lógica, a prioridade do currículo básico do Brasil, voltado frequentemente para o tecnicismo alienante, não contempla aspectos importantes, como economia e as novas exigências do ambiente laboral, o que, de fato, deixa de formar indivíduos informados a respeito de tal conjuntura e preparados para o ingresso no mercado de trabalho.
Outrossim, ao descortinar o século XXI, a contemporaneidade, marcada pela modificação das relações trabalhistas, têm exigido constantemente maior qualificação profissional para o ingresso no mercado de trabalho. Nesse aspecto, diferentemente da primazia industrial brasileira, na qual havia prioridade da quantidade de trabalhadores, no presente, nota-se a inversão de tais valores, na medida em que as empresas optam pela admissão de indivíduos experientes e com maior qualificação na área, o que vai de encontro às perspectivas dos jovens recém formados.
Logo, é evidente que as dificuldades da juventude de se inserir no ambiente profissional mostra-se uma chaga social que demanda imediata resolução. Para que se minimize esse cenário problemático, portanto, fica a cargo do Ministério da Educação a reestruturação de sua matriz curricular básica, principalmente no Ensino Médio, por meio da aplicação de disciplinas que envolvam economia e realidades próprias do ambiente de trabalho, com o objetivo de instruir os adolescentes acerca do assunto. É imprescindível, ainda, a atuação do Poder Público, em suas esferas assistencialistas, na criação de projetos que integrem empresas que desejam reduzir seus impostos, na disponibilidade de empregos fixos para o público juvenil, a fim de aumentar a admissão profissional de tal faixa etária. Quem sabe, assim, poder-se-á transformar uma sociedade desenvolvida socialmente, sem contradições perversas que envolvam os indivíduos que serão o futuro do país.