As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 23/10/2018

Catálise social

Em seus estudos, o sociólogo alemão Max Weber defende que o processo de entendimento da realidade social seria possível por meio da compreensão das ações dos indivíduos. Sob essa ótica, as dificuldades dos jovens no mercado de trabalho  exigem uma discussão mais ampla, haja vista que a problemática permanece intimamente relacionada à conjuntura social do país, fruto da defasagem educacional e do preconceito presente no ambiente de trabalho.

Em primeiro plano, é indiscutível que a baixa qualidade de ensino contribui para aumentar os obstáculos dos jovens. Segundo a Magna Carta, promulgada em 1988, é assegurado aos jovens o direito à educação de qualidade e ao trabalho. Todavia, é incontestável que os escassos recursos destinados à educação dificulta a qualificação dos jovens para atuarem no mercado de trabalho, visto que parcela significativa das escolas públicas não oferecem laboratórios de informática aos alunos. Nesse sentido, tal cenário não só rompe com tais premissas constitucionais, como também colabora para ampliar o trabalho informal e as taxas de evasão escolar.

Outrossim, cabe-se ressaltar que o preconceito social influencia negativamente no impasse. Conforme destaca o sociólogo Peter Berger, em sua obra “A construção social da realidade”, as pessoas aprendem a viver em sociedade, por meio do processo de socialização, e interiorizam preconceitos sociais como o racismo e a desigualdade de gênero. Nessa perspectiva, é indubitável que o emprego de jovens trabalhadores, principalmente mulheres e negros, diminuiu significativamente, fato que colabora para aumentar cada vez mais as dificuldades dos jovens no contexto laboral.

É imprescindível, destarte, que as dificuldades enfrentadas pelos jovens no mercado de trabalho deixe ser realidade no Brasil. Para tanto, é imperativo que o Poder Público direcione uma parcela maior dos impostos para o setor educacional que, por intermédio do Ministério da educação, será revertido na ampliação do número das vagas em programas nacionais de estágio para os jovens e em melhorias na infraestrutura das escolas, como a instalação de laboratórios de informática e ampliação do número do professores, a fim de mitigar o desemprego juvenil. Ademais, a mídia deve, por meio de propagandas e campanhas destinadas à população, desconstruir e sensibilizar os indivíduos acerca do preconceito social ainda presente na sociedade, com o intuito de facilitar a inclusão de mulheres e negros no ambiente de trabalho e, dessa forma, reduzir o desemprego. Assim, o Estado e a mídia atuarão como catalisadores sociais, contribuindo acelerar o processo descrito por Weber, de entendimento e combate à problemática.