As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 23/10/2018
Na visão genial de Émile Durkheim, autor clássico da sociologia, a sociedade é vista como um grande organismo biológico, que possui partes dependentes entre si, como os órgãos do corpo humano. Nesse sentido, para um bom funcionamento do todo, é necessário que todas as partes estejam coesas e com seus direitos garantidos, como o acesso ao trabalho. Contudo, ano após ano, aumenta-se as dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho, em função de preconceitos e na inadequação entre formação acadêmica e o que o mercado de trabalho exige.
Segundo Paulo Freire, célebre pedagogo, deve-se confiar na capacidade dos jovens no mercado de trabalho, visto que possibilita um mútuo aprendizado entre empregador e funcionário, aumentando a capacidade de renovação criativa. Entretanto, existe um preconceito no meio profissional, em que maior experiência é garantia de maior produtividade e eficiência. Esta visão é uma infeliz generalização, haja vista que muitos profissionais com vasto currículo se acomodam em sua posição de destaque, enquanto iniciantes precisam mostrar seu valor. Dessa forma, tal consciência coletiva dificulta a garantia da Constituição, que prevê emprego para todos.
Outrossim, destaca-se a incongruência entre grade curricular acadêmica e o que é exigido no meio laboral, já que este engloba qualidades como controle emocional, trabalho em equipe e inovação de forma mais contundente. Ademais, o ensino universitário brasileiro por vezes é metódico, o que não prepara para imprevistos, pois há, no geral, um tópico de assuntos para ser seguido à risca, o que não acontece, por exemplo, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Diante disso, as universidades brasileiras estão distantes da realidade praticada nas melhores do mundo, o que é imprescindível ser corrigido.
Portanto, o Ministério da Educação deve propor uma reforma nas universidades públicas, para que se tenha um ensino mais dialético e com maior interação entre alunos e professores. Para isso, pedagogos brasileiros do Governo devem realizar visitas em instituições de qualidade mundial comprovada, para promover adaptações ao nosso meio, como por exemplo, a leitura de livros semanais antes mesmo da obra ser discutida pelo professor, para posterior debate. Assim, poder-se-à ter uma educação mais proativa, para que o organismo biológico de Durkheim seja coeso, com o trabalho garantido a todos.