As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho

Enviada em 25/10/2018

“A juventude mostra o homem tal como a manhã mostra o dia”. A citação de John Milton faz referência a construção dos ideais que serão solidificados durante a transição para a maturidade. De modo análogo, o otimismo em relação ao futuro é característico da adolescência e positivo por influenciar na determinação, todavia, ele sozinho não garante o sucesso ou a realização pessoal diante do mercado de trabalho atual. Nesse cenário, a geração mais jovem enfrenta duros entraves para a ascensão profissional, e, dentre as razões para tal conjuntura, vale destacar o comportamento paradoxal do mercado que exige a adequação entre a formação acadêmica e a experiência como fatores decisivos para a contratação.

Em primeira análise, sabe-se que a inserção dos jovens no mercado de trabalho é um dos grandes desafios da política de emprego nos dias atuais. Sendo assim, trata-se de um público mais vulnerável, que tende a encontrar ocupações mais precárias, situação agravada no Brasil pela baixa escolaridade e fragilidade da formação educacional de grande parte da população, além da inserção precária no mercado de trabalho que estabelecem um perverso ciclo vicioso. Nesse aspecto, dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reforçam essa posição ao evidenciarem que, 30% da classe desempregada é composta por jovens, na faixa etária de 18 a 24 anos, com baixa escolaridade e renda.

Outrossim, em consonância com a colocação de Vitor Hugo: “O progresso roda constantemente sobre duas engrenagens. Faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”, encontrou-se ao lado da falta da qualificação, as dificuldades deparadas pelos jovens em obter experiência no mercado de trabalho, fortemente relacionada ao comportamento discrepante do ramo trabalhista. Ademais, observa-se que o cenário de crise econômica vivido pelo país fez com que as empresas recorressem pelos trabalhadores mais experientes ao optar pela alta produtividade. Por conseguinte, de acordo com o Ipea, a taxa de desemprego total entre o grupo acima de 25 anos é menor que entre aqueles com menor idade, o que reflete a preferência das firmas em manterem seus trabalhadores mais especializados.

Em síntese, as dificuldades dos jovens em se inserirem mercado trabalhista perpassa os fatores sociais, além da gestão interna empresarial. Logo, é necessário que o Ministério da Educação oferte condições para o reforço da formação e da qualificação desse grupo e implemente melhorias na qualidade da educação, direcionando investimentos financeiros às escolas, com o desenvolvimento de laboratórios e aulas interativas, a fim de reduzir a evasão escolar e a fragilidade da formação educacional. Além disso, mostra-se relevante requalificar aqueles que estão fora desses ambientes e, conjuntamente com a iniciativa privada, reforçar os programas de contratação de jovens, que trabalharão em um período e realizarão cursos profissionalizantes em seu contraturno, possibilitando efetivo engajamento na sociedade