As dificuldades dos jovens de ingressarem no mercado de trabalho
Enviada em 28/10/2018
Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a probabilidade de um jovem ingressar no mercado de trabalho é cerca de apenas 30%, o que evidencia o desafio desses indivíduos em se empregarem. Tal preocupante realidade, deve-se tanto a uma insuficiente formação acadêmica quanto ao preconceito enfrentado por uma parte dessas pessoas. Logo, medidas devem ser tomadas a fim de conter a problemática.
Em primeiro lugar, nota-se que grande parte dos jovens são cidadãos de papel, conforme o jornalista Gilberto Dimenstein, pois possuem o direito a uma educação de qualidade, garantido pela Constituição, apenas no plano teórico e não sendo desfrutado na realidade. Esse grave cenário é o reflexo de um ensino precário, ao qual muitos adolescentes tiveram durante o ensino médio, por exemplo, o qual deu-se pela ausência de professores e, em algumas situações, falta de materiais didáticos. Por consequência, observa-se que alguns estudantes quando concluem a sua formação básica, carecem das qualificações que o mercado de trabalho exige, como domínio da escrita, pensamento crítico e realização de operações matemáticas, situações que minimizam as chances de se ingressarem no mercado de trabalho, porque, frequentemente, não atendem as exigências de capacitação das empresas.
Em segundo lugar, percebe-se que a perpetuação de estigmas contra o jovem é outro fator, o qual compromete a contratação desse grupo pelas empresas. Isso se manifesta em virtude da crença de que devido a ausência de experiência no mercado de trabalho, tais pessoas não estão aptas a desenvolverem funções que uma instituição necessita e, dessa forma, esta irá sofrer prejuízos econômicos. Consequentemente, a parcela desses novos profissionais são vítimas da violência simbólica, conceito do sociólogo Pierre Bourdieu, caracterizada por ser um ato contra um cidadão, que mesmo não envolvendo coação física, é capaz de provocar danos morais e psicológicos nas vítimas. Na realidade, um exemplo é o sofrimento emocional decorrente da crença de incapacidade por não conseguir se empregar, podendo resultar até na depressão do indivíduo.
Portanto, para ampliar a empregabilidade dos jovens é preciso que o Ministério da Educação mediante o redirecionamento de verbas contrate mais professores e adquira materiais didáticos a fim de que o ensino possua uma maior qualidade, e esses indivíduos aumentem suas chances de ingressar no mercado de trabalho. Ademais, o Ministério da Comunicação necessita realizar campanhas, veiculadas, por exemplo, em revistas do ramo empresarial, que informem sobre as qualidades de se empregar um jovem com o intuito de conter o preconceito para contratar tais cidadãos.